Rússia tentou influenciar eleições norte-americanas - Mikko Hypponen

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Porto Canal com Lusa

Lisboa, 10 nov (Lusa) - O diretor do departamento de pesquisa da firma de segurança cibernética finlandesa F-Secure considera que a Rússia tentou influenciar o resultado das eleições norte-americanas, sendo responsável pela divulgação de vários 'emails' ligados ao Partido Democrata.

"Vimos atividade de vários governos estrangeiros durante as eleições norte-americanas, e embora não tenham mudado o resultado dos votos, tentaram fazer isso", disse à Lusa Mikko Hypponen, vincando que "podemos rastrear essa atividade informática até ao governo russo, por isso acreditamos que o Governo da Rússia tentou influenciar o resultado das eleições".

O responsável, que se apresentou numa conferência da Web Summit como alguém que anda a "investigar 'hackers' há mais de 20 anos", explicou que já no ano passado divulgou uma longa lista de elementos sobre uma organização cibernética russa chamada Grupo Duke, e nada aconteceu depois disso, nomeadamente alterações nos procedimentos de comunicação e intromissão que o grupo usava.

"Não mudaram nada durante meses depois de divulgarmos essa informação, o que nos leva a considerar que ou não têm medo das autoridades, ou são eles próprios as autoridades", disse o investigador que recentemente foi alvo de um perfil de nove páginas na Vanity Fair e já escreveu para os jornais norte-americanos New York Times, Wired e Scientific America, sendo considerado uma das 50 pessoas mais importantes do mundo pela PC World magazine.

O Governo russo, disse, "foi responsável, direta ou indiretamente por quatro ataques diferentes, ao servidor de Hillary Clinton, ao do Comité Nacional Democrata, a John Podesta e ao Centro Congressional Democrata".

Na intervenção que fez esta manhã na Web Summit, Hypponen mostrou uma parte de uma entrevista de Vladimir Putin à Bloomberg, na qual lhe perguntam se ele pirateou o Partido Democrata, e Putin responde que o importante não é quem o fez, mas sim o conteúdo dos 'emails', acrescentando que "não vale a pena distrair o público com quem pirateou os 'emails'".

Já depois do resultado eleitoral, um assessor de Putin disse, segundo este consultor informático, que "ainda bem que pudemos ajudar", o que parece comprovar a tese apresentada por este consultor.

Na apresentação em palco, Hypponen defendeu o voto presencial, considerando que as vantagens do voto eletrónico pela internet são muito menores que os riscos, e disse que a grande mudança nos últimos 25 anos "é que dantes os hackers eram jovens em garagens que pirateavam por divertimento, e hoje os hackers são Estados e nações".

MBA // JPF

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