“Um estádio diferente”. Manuel Salgado recorda a construção do Estádio do Dragão

“Um estádio diferente”. Manuel Salgado recorda a construção do Estádio do Dragão
| Desporto
Maria Leonor Coelho

A 16 de novembro de 2003, as portas do Estádio do Dragão abriam-se pela primeira vez e os portistas ficavam a conhecer aquela que passaria a ser a sua nova casa. Nessa noite, nem o frio afastou os adeptos do ‘estádio dos sonhos do FC Porto’, desenhado pelo arquiteto Manuel Salgado, o único capaz de pôr em prática todos os desejos da direção do clube.

Em entrevista exclusiva ao Porto Canal, o arquiteto recordou as várias fases que marcaram o processo de conceção daquela que é hoje uma das estruturas mais emblemáticas da cidade.

 
 
 
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“Inicialmente nós não fomos convidados para fazer o estádio, nós fomos contratados pela Câmara do Porto para fazer o estudo urbanístico da zona das Antas”, onde se incluía a escolha da localização do novo equipamento desportivo que seria desenhado por outro gabinete de arquitetura, começa por contar.

Numa fase inicial do projeto, Manuel Salgado propôs à autarquia que trouxesse o estádio para uma zona menos consolidada da cidade, perto da VCI, de forma a aproveitar a construção do complexo desportivo para criar uma nova centralidade na freguesia de Campanhã.

Durante a execução daquele que viria a ser o Plano de Pormenor das Antas, o gabinete de arquitetura de Manuel Salgado esteve em constante comunicação com o FC Porto, enquanto agente principal da transformação urbanística em causa e, num desses contactos, o arquiteto acabaria mesmo por ser convidado para desenhar o estádio.

Manuel Salgado assume as rédeas da nova casa dos ‘Dragões’
Inicialmente, Manuel Salgado desenharia o novo estádio do emblema azul e branco em parceria com uma equipa holandesa, “especialista em estádios”. Alguns revés levaram o clube a entender que a solução que estava a ser desenvolvida sob a batuta dos holandeses não era a pretendida.

Nesse momento o arquiteto português aproveitou a oportunidade para apresentar, voluntariamente, uma proposta desenvolvida apenas pela sua equipa, que contemplasse todas as ideias que haviam sido transmitidas pelos dirigentes do clube. O projeto acabou por ser aceite e deu forma ao Estádio do Dragão, conforme é hoje conhecido.

O local escolhido “metia um certo respeito, quase que medo, porque era uma zona com muitas ruínas, muitas casas abandonadas, com um clima um bocado difícil”, revela o arquiteto ao Porto Canal.

Em mente uma preocupação: fazer uma intervenção que utilizasse o estádio como uma âncora de regeneração da zona degradada, criando uma nova centralidade na freguesia de Campanhã.

20 anos depois, Manuel Salgado considera que o Estádio do Dragão “veio criar cidade”, havendo agora espaço para valorizar a zona das Antas, com a construção de novos equipamentos e infraestruturas, como o Matadouro Industrial de Campanhã, a linha de alta velocidade e a extensão da linha de metro.

“Um estádio diferente dos restantes”
Na visão de Manuel Salgado, o Estádio do Dragão sempre foi um “estádio diferente”. Desde logo, o equipamento desportivo provou ser irreverente, expondo várias intervenções artísticas, como é o caso da escultura de Alberto Carneiro, à entrada da Tribuna VIP, e o pavimento da praça que o envolve.

Por sua vez, as bancadas, que estiveram no centro das atenções da equipa de projeto, distinguem-se por terem sido desenhadas de forma a assegurar a visão a partir dos lugares situados nos quatro cantos do estádio. As orientações da direção do FC Porto revelaram-se determinantes, tendo a preocupação de criar maior proximidade entre os adeptos e o plantel, pedindo a eliminação do habitual fosso que separa o relvado da plateia.

O arquiteto salienta ainda um pormenor que diferencia o Estádio do Dragão dos restantes desenhados para o Euro 2004. “Este foi o único estádio feito cá em Portugal que foi desenhado para ser integrado numa área urbana e, portanto, havia a preocupação de que o impacto visual do estádio não esmagasse tudo o que estava à volta”, explica.

Foi precisamente para melhorar o enquadramento do estádio na área urbana, que o terceiro anel nos topos laterais do estádio foi abolido, permitindo “visibilidade de fora para dentro e de dentro para fora”.

Para o presidente Pinto da Costa, a identidade única do Estádio do Dragão, evidencia a "ousadia de sonhar mais alto do que os outros e a coragem de lutar seja contra quem for", tão próprias do FC Porto.

Com o estádio nasceu um portista
O arquiteto lisboeta confessa que nunca ligou muito ao desporto rei. “Não era frequentador assíduo de estádios de futebol, joguei futebol em miúdo, no Belenenses, mas nunca liguei muito”, revela.

Contudo, ao conceber o Estádio do Dragão acabou por criar laços com o emblema portista, laços esses que nunca mais se desfizeram. E assim, para além de ter nascido um novo estádio, nasceu também um novo adepto.

“Eu antes de desenhar o estádio, não tinha nenhum contacto com o FC Porto, era apenas o clube da cidade do Porto. Mas quando conheci as pessoas com quem trabalhei de perto durante aqueles anos, criei um vínculo de amizade e de relação com o FC Porto, completamente diferente e, portanto, hoje em dia, eu torço pelo FC Porto”, confessa.

Se tivesse de eleger um momento nos últimos 20 anos, Manuel Salgado escolheria a inauguração. “Foi um momento fantástico, completamente inesquecível, lembro-me exatamente da festa que foi, apesar do mau tempo e do frio que estava, foi uma festa fantástica”, recorda o arquiteto.

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