Obras novamente atrasadas no Terminal Intermodal de Campanhã. Fim dos trabalhos apenas em agosto

Obras novamente atrasadas no Terminal Intermodal de Campanhã. Fim dos trabalhos apenas em agosto
| Porto
Francisco Graça

O fim da intervenção na passagem inferior pedonal do Terminal Intermodal de Campanhã (TIC) estava previsto para 15 de fevereiro, mas os acabamentos da obra não estão finalizados. Em resposta ao Porto Canal, a Câmara Municipal do Porto prevê que a empreitada se estenda até “meados de agosto”.

Este é já o quarto prazo dado para o término da passagem. A data inicial marcava 12 de agosto do ano passado, depois a uma primeira prorrogação para 31 de outubro sucedeu-se outra, dia 15 de fevereiro, também falhado.

No TIC, é possível ver vedações e cortinas a tapar partes da passagem pedonal que liga as plataformas de autocarro à estação de metro de Campanhã, assim como material de construção guardado e pormenores da estrutura por concluir.

A autarquia aponta as “várias semanas de chuva intensa” que funcionaram como um verdadeiro teste de stress para o TIC. As intempéries revelaram “diversas infiltrações na estrutura que já existia e que obrigaram a trabalhos não previsíveis de correção”.

Porto Canal

Alvará da intervenção na passagem inferior pedonal do TIC estava previsto para 15 de fevereiro, mas os acabamentos da obra não estão finalizados

As obras na passagem pedonal inferior estão a ser realizadas ao mesmo tempo que se mantém a estrutura aberta ao público, considerado um imperativo pelo executivo de Rui Moreira para a comodidade dos utilizadores do TIC.

Possibilidade de passadeira rolante

O corredor largo que une as duas plataformas de transportes públicos já inspira o imaginário de quem percorre o longo percurso. “Uma passadeira que nos levasse ao outro lado”, pedem os mais velhos.

A passagem pedonal inferior percorre o TIC desde as garagens de autocarros até às entradas para os cais de comboios e metro. Quem procura a linha em direção à Trindade ou Senhora da Hora, na ponta oposta da “entrada de bus”, tem de atravessar quase 200 metros subterrâneos.

A Câmara do Porto diz que não está prevista a instalação de passadeiras rolantes, para já. Mas o corredor de grandes dimensões deixa essa possibilidade em aberto. “Caso seja necessário repensar”, admite a autarquia, “existe uma área que lhes poderá ser destinada”.

Porto Canal

Semanas de chuva intensa revelaram infiltrações na estrutura, que obrigaram a trabalhos de correção

O Terminal de Rui Moreira

O TIC foi uma aposta declarada do presidente da Câmara do Porto: Foi anunciado como uma verdadeira revolução e um “marco histórico” na rede de transportes públicos da cidade do Porto.

20 de julho, data da inauguração, Rui Moreira prometia “um terminal aberto a todos os operadores e a todo o tipo de serviços de transporte rodoviário de passageiros”. A ideia era acolher as linhas intermunicipais de São João da Madeira, Gondomar, Paredes e Penafiel. Os outros serviços seriam de médio e longo percurso, com destino para todo o país e para o estrangeiro. Empresas como a FlixBus, Gipsyy, Internorte e Redes Expressos já estão a operar a partir de Campanhã. O problema é agora a rede de transportes urbanos.

Porto Canal

Câmara do Porto diz que não está prevista a instalação de passadeiras rolantes, mas há espaço “caso seja necessário”

A operadora Gondomarense não está ainda a operar a partir de Campanhã. As sete linhas que iriam ser deslocadas iniciam e terminam na Rua Justino Teixeira, em Campanhã, ou na interface do Estádio do Dragão. Contactada pelo Porto Canal há três meses, a transportadora esclareceu que o terminal de Campanhã “não tem um perfil para carreiras urbanas”.

Em outubro de 2022, quando o Porto Canal visitou as instalações do TIC, os utilizadores queixavam-se da falta de sinalização e dos problemas de intermodalidade. Nesse sentido, foram feitas alterações na sinalética do espaço e já foi reforçada a equipa técnica, por um período temporário, que auxilia os passageiros na deslocação entre estações.

+ notícias: Porto

O antigo quarteirão da Casa Forte mudou com o Porto

O antigo quarteirão da Casa Forte, no coração do Porto, ganhou o nome da loja da esquina voltada ao Mercado do Bolhão. A emblemática empresa da cidade viria a encerrar em 2004, paradoxalmente o ano da criação da Porto Vivo, Sociedade de Reabilitação Urbana, que lançou as bases da nova vida do quarteirão. Entre projetos, demolições e mudança de promotores imobiliários, só ao fim de quase 20 anos é que o espaço da cidade vai voltar a receber moradores. Numa viagem pela história, que resposta dá à cidade o novo Quarteirão da extinta Casa Forte?

“A ‘cidade-negócio’ vai-se descaracterizando completamente perdendo interesse até para turistas”

A histórica Mercearia do Bolhão, aberta no Porto desde 1880, vai encerrar portas a 30 de abril para dar lugar a uma loja da multinacional Ale-Hop, como avançou o Porto Canal na manhã desta sexta-feira. À esquerda, os vereadores da oposição da Câmara do Porto lamentam que a cidade se vá ‘descaracterizando’.

Neonia: o novo museu interativo e néon que ilumina a história do Porto

Sabia que em 1917, dois acrobatas subiram à Torre dos Clérigos sem qualquer equipamento de proteção para promover uma marca de bolachas? Apesar de já ter passado mais de um século, este é um entre os tantos acontecimentos lembrados no novo museu que abriu portas este sábado no coração do Porto. “O Neonia é uma pura homenagem à cidade”, sublinha um dos responsáveis.