A cooperação entre Porto e Barcelona e a luta contra o centralismo. Quais os desafios para as duas metrópoles ibéricas?

| Porto
Fábio Lopes e Pedro Benjamim

De bases bem estabelecidas nas respetivas regiões - o Norte e a Catalunha – as cidades de Porto e Barcelona apresentam-se há décadas como forças de combate ao poder neutralizador de Lisboa e de Madrid. Em entrevista ao Porto Canal, Natàlia Mas Guix, responsável pelas Finanças e Economias do governo da Catalunha sublinha a necessidade de constante cooperação entre as segundas cidades ibéricas, dada a sua “base económica semelhante”.

A responsável visa ainda os governos europeus, alertando que os países que apresentam boas políticas de descentralização “têm melhores resultados”, sendo este o caminho certo a seguir.

A cooperação entre as duas regiões ibéricas

“Estamos muito contentes por estar aqui, por reforçar estas relações, particularmente com o Porto e com a região Norte, com quem nos sentimos quase em casa. Somos territórios com muitas semelhanças. Portugal é o nosso quarto parceiro comercial, portanto exportamos muito mais para Portugal do que para o Reino Unido, Estados Unidos ou China”, começa por dizer Natàlia Mas Guix, apontando as semelhanças estruturais entre ambos os territórios.

“Nós partilhamos muitas bases económicas. Vocês são uma região com uma indústria bastante forte e também sabemos que têm recebido investimento externo importante, nos últimos anos, o que é também uma semelhança com a Catalunha”, vinca a responsável catalã.

A luta contra o centralismo

Outro dos tópicos partilhados por Porto e Barcelona prende-se com a feroz luta contra o centralismo. O 25 de abril de 1974 abriu portas para que Portugal começasse a traçar o seu próprio caminho na Regionalização, que está prevista desde 1976, ano da aprovação da primeira constituição democrática. No entanto, o processo tem vindo a ser sucessivamente adiado pelos vários governos. Neste sentido, Natàlia Mas Guix alerta para a importância desta temática, de forma a alavancar a importância das duas cidades ibéricas.

“Vários países europeus deviam tratar as suas segundas regiões metropolitanas com os devidos recursos e com as políticas económicas que merecem para melhorar a competitividade de todo o território. Também aqui enfrentamos desafios, no que toca às dinâmicas de centralismo”, destaca Natàlia Mas Guix, acrescentando que existe evidência de que países que têm “boas políticas de descentralização apresentam melhores resultados. E é por isso que é importante que dois territórios que partilham bases económicas semelhantes cooperem”, reitera a governante, abordando o caso da Catalunha.

“Do ponto de vista da Catalunha, como região, somos responsáveis por muitos pilares do Estado... da educação, da saúde, fundos sociais e enfrentamos vários desafios no futuro, no que diz respeito à demografia, à imigração, também às mudanças climáticas e às mudanças geopolíticas, o que quer dizer que precisamos de investir fortemente, nos próximos anos, para que possamos melhorar as nossas capacidades industriais e tecnológicas, de forma a tornarmo-nos territórios principais na Europa”, defende Natàlia Mas Guix.

A responsável pelas Finanças e Economias do governo da Catalunha sustenta também que uma participação cada vez mais influente da indústria nas economias destas regiões será um passo crucial, “tendo a oportunidade de reindustrializar, de melhorar a nossa capacidade industrial e tecnológica”. Nesta “proveitosa” visita a território nacional, Natàlia Mas Guix considera, igualmente, que os encontros e reuniões levadas a cabo com a Câmara Municipal do Porto identificaram desafios comuns entre as duas regiões.

“Regiões não tiveram autonomia suficiente”

“Tivemos a oportunidade, com o INESC TEC - Centro Tecnológico, de discutir várias áreas de cooperação, desde mobilidade sustentável, semi-condutores, têxteis, economia azul, etc. Portanto, há muitas áreas. Com a Câmara Municipal do Porto também trocámos impressões, numa perspetiva municipal, Barcelona e Porto, identificando desafios comuns que enfrentamos”, rematou a governante catalã, revelando que foi abordada a próxima remessa de fundos, o programa de recuperação da União Europeia e “entendemos que as regiões não tiveram autonomia suficiente para gerir estes fundos, para nos adaptarmos à realidade dos nossos territórios”.

 
 
 
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