Sem ciclovia, interface com o metro ou linha do Campo Alegre. Chovem críticas ao metrobus do Porto
Francisco Graça
A estação de metrobus da Casa da Música não terá ligação à correspondente estação de metro, confirmou o Porto Canal junto da Metro do Porto. Para fazer a ligação entre as duas modalidades de transporte vai ser preciso percorrer, ao ar livre, um pouco mais de 500 metros.
Esta tem sido uma crítica consistente, tanto nas redes sociais como entre residentes portuenses entrevistas pelo Porto Canal, no dia em que se iniciaram oficialmente as obras que vão levar o metrobus - uma linha de autocarros a hidrogénio verde - à Avenida da Boavista.
Ligação à linha de metro por fazer
A falta de ligação do novo projeto de metrobus à linha de metro da cidade é um ponto crítico. Vai ser na estação da Casa da Música que se ligará a Rotunda da Boavista à Praça do Império, no início, e à Anémona, em Matosinhos, numa segunda fase do projeto, mas quem quiser continuar para o centro da cidade vai mesmo ter de sair do metrobus e deslocar-se 500 metros até à estação de metro que já existe nas traseiras da Casa da Música. Para muita gente, uma situação "incompreensível".
Na rede social Twitter, logo aquando da apresentação do projeto da autoria conjunta da Metro do Porto e da Câmara Municipal gerida por Rui Moreira se deixou claro que uma “falha” de conetividade era uma oportunidade perdida e um "desgosto".
Isto dá-me um degosto tão grande pic.twitter.com/AxHTF2JFpr
— Tiago Gonçalves 🌐 (@trigo__tiago) January 30, 2023
Os planos de inserção do BRT - Bus Rapid Transit (nome técnico para o meio de transporte conhecido como ‘metrobus’) – na Rotunda da Boavista deixam ainda dúvidas: a inversão do autocarro parece ser feita na própria rotunda, em contramão.
O fim das ciclovias
A obra de metrobus não antecipa ciclovias na Avenida, segundo o projeto apresentado pela Metro do Porto e pela autarquia. Atualmente, existe uma via dedicada às bicicletas entre o Castelo do Queijo que passa pelo Parque da Cidade, mas a Metro do Porto, em declarações ao jornal Público, admite não saber ainda como vaio integrar o canal ciclável com o resto do projeto BRT. O restante caminho até à Casa da Música não deverá ter espaço para se criar uma ciclovia.
RIP ciclovia da Avenida da Boavista 😢
— Mário Rui André (@mruiandre) January 30, 2023
Porto avança com Metrobus até Serralves e, numa segunda fase, até Matosinhos. Projecto divulgado aqui: https://t.co/s3ghD0KapY pic.twitter.com/oRNuFrQQxC
Campo Alegre sem serviço
A zona do Campo Alegre e as zonas habitacionais densamente povoadas que segue o eixo da rua de Diogo Botelho não vão ser servidas nem por metro, nem por metrobus. Houve um projeto pensado para expandir a oferta de transportes públicas na zona, mas a Metro do Porto alegou dificuldades infraestruturais para a construção de uma via dedicada.
Tanto o PSD como a CDU deixaram críticas ao executivo de Rui Moreira em abril de 2021, aquando da discussão da implementação do BRT, e até o ministro da Saúde Manuel Pizarro, na altura vereador do PS, disse preferir o metrobus no Campo Alegre à construção na Boavista.
E se vos disser que planeia-se fazer um MetroBus no Porto que terá de fazer inversão de marcha em contramão em plena Rotunda da Boavista?
— Gonçalo Pinto (@goncalo_nspinto) January 31, 2023
🚌🔵
Não temos linha da Boavista nem linha do Campo Alegre e ficamos com esta solução manca 💢@rumor1956@portoponto pic.twitter.com/FptHXqODDv
No total, são oito quilómetros em mobilidade “ecológica”, num investimento de 66 milhões de euros “totalmente financiado a fundo perdido pelo Plano de Recuperação e Resiliência”, especifica a Metro do Porto. A viagem de metrobus entre a Casa da Música e a Praça do Império vai demorar 12 minutos. Entre a Rotunda da Boavista até à Anémona serão 17 minutos de viagem.
18 meses de obra
Os trabalhos da Metro do Porto arrancam já e devem demorar ano e meio até ao fim do trajeto em “Y” no eixo Boavista-Império-Anémona. A obra na Avenida da Boavista vai ocupar o corredor de ‘bus’ e a via central de rodagem, mas a Metro garante que vão estar asseguradas, sempre e ao longo de todo o trajeto, duas vias de circulação rodoviária em cada sentido.
Os trabalhos ficam a cargo do consórcio ACA/Alves Ribeiro, as duas empresas que venceram o concurso público internacional promovido pela Metro do Porto.