Câmara do Porto trilha menos de metade das ciclovias a que se comprometeu em 2020

| Norte
Ana Mota

Em 2020 a cidade do Porto tinha 19 quilómetros de ligações cicláveis. Nesse ano, a autarquia anunciava o reforço de mais 35 quilómetros. Desses, apenas 16 foram construídos. O Porto tem “muito elevado potencial” para vir a ter utilizadores de bicicleta, mas ainda é considerado “principiante” na aplicação de medidas.

No que toca às políticas de promoção para o uso da bicicleta, Portugal ainda está no patamar de principiante. Segundo Cecília Silva, docente auxiliar da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), “o que é muito comum nestes casos, é a existência de um conjunto avulso de ciclovias em sítios específicos, mas que muitas vezes não estão interligadas”. É exatamente essa a realidade na cidade do Porto. Não existe uma rede de percursos cicláveis que tornem a mobilidade dos modos suaves de transportes mais segura.

Em 2020, no âmbito da implementação da Rede Municipal para Modos Suaves, a Câmara do Porto comprometeu-se a criar mais 35 quilómetros de ciclovia, no sentido de ligar pontas soltas das linhas de ciclovia já existentes. Quase três anos depois, ao Porto Canal, a autarquia esclarece que foram concretizados apenas 16 quilómetros, menos de metade daquilo que estava previsto.

Na mesma nota, a Câmara do Porto informa que o município, através da empresa municipal GoPorto, e em articulação com os Municípios de Matosinhos e de Gondomar, encontra-se a desenvolver os projetos de ligação ciclável da Trindade a São Mamede de Infesta e da Asprela a Rio Tinto, sendo que está prevista a sua implementação durante este ano.

 
 
 
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Cidade do Porto tem “muito elevado potencial”

A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em parceria com os municípios, estudou o potencial de várias cidades portuguesas e europeias para o uso da bicicleta como meio de transporte. O projeto desenvolveu um roteiro para cidades principiantes no uso da bicicleta que forneceu um conjunto de ferramentas aos municípios de apoio ao planeamento. “Relativamente à cidade do Porto, por ser uma cidade com elevadas densidades de construção, em que existe uma boa distribuição das atividades e das pessoas, toda ela tem elevado ou muito elevado potencial para vir a ter utilizadores de bicicleta”, explica Cecília Silva, docente da FEUP.

Quanto às políticas de promoção do uso da bicicleta, a solução não passa apenas pelo aumento do número de ciclovias. “Precisamos de uma rede integrada, que liga as origens aos seus destinos da forma mais rápida e mais segura possível. Isso não significa que agora, de repente, precisamos de ciclovias na cidade toda. O que tem sido defendido em muitas cidades é a redução da velocidade para os 30 quilómetros hora”, explica Cecília Silva.

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