Notícia Porto Canal. Absentismo na TAP supera os 28% em dezembro. Faltas e licenças ameaçam operação

Notícia Porto Canal. Absentismo na TAP supera os 28% em dezembro. Faltas e licenças ameaçam operação
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A taxa de absentismo prevista para o mês de dezembro entre tripulantes de cabine da TAP situa-se nos 28,7%, avança fonte da companhia ao Porto Canal. De um universo de 2.800 trabalhadores, 803 estão já afastados da operação neste mês, número que, combinado com a greve agendada para 8 e 9 de dezembro, ameaça provocar uma disrupção na operação da transportadora.

Baixas, férias e as polémicas “licenças”: são muitas e muito diversas as razões invocadas pelos trabalhadores da TAP para se ausentarem do serviço. No período das festas, e especialmente entre comissários e assistentes de bordo, este valor é especialmente elevado.

Segundo documentos a que o Porto Canal teve acesso, o mês de dezembro é tradicionalmente um mês muito complicado para a operação da TAP. Em 2019, último ano antes da pandemia por covid-19, que provocou uma paralisação generalização do setor da aviação, o absentismo no período natalício rondou os 17,6% entre comissários e assistentes de bordo. Em voos de longo curso, este valor chegou mesmo a superar os 26%.

Fonte da companhia diz que a situação é “insustentável” e sublinha que o cenário é especialmente grave entre tripulantes de cabine. As faltas têm sido apontadas como uma das principais razões para os atrasos e cancelamentos de voos da TAP.

Este ano, a véspera e o dia de natal poderão mesmo estar ameaçados. É que o número de tripulantes já afastados da operação (803) pode não ficar por aqui. E a este valor somam-se as folgas obrigatórias, o que faz com que nos dias 24 e 25 de dezembro a TAP tenha apenas “cerca de 1.200 comissários e assistentes de bordo disponíveis” para as escalas de trabalho (cerca de 42% da totalidade), avança fonte da companhia.

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Pilotos menos faltosos do que tripulantes de cabine

Situação bem diferente é a vivida no cockpit dos aviões da TAP. Segundo dados obtidos pelo Porto Canal, a taxa de absentismo entre comandantes e oficiais pilotos nunca superou, em média, os 10%. O Acordo de Empresa, motivo da discórdia entre a administração da transportadora e o SNPVAC, pode ser alcançado a breve prazo no caso dos pilotos.

Greve ameaça provocar disrupção

Com a paralisação dos tripulantes de cabine prevista para os dias 8 e 9 de dezembro, a TAP poderá perder 8 milhões de euros. O cancelamento de pelo menos 360 voos vai afetar cerca de 50 mil passageiros. Dependendo da adesão, a greve, marcada pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), ameaça levar a operação da empresa a uma situação de disrupção.

A decisão final dos membros associados no sindicato está prevista para terça-feira, 6 de dezembro, data em que se realiza a derradeira assembleia geral. O SNPVAC avançou com o pré-aviso de greve a 2 de novembro, logo após a apresentação de 111 milhões de lucros pela empresa, referentes ao terceiro trimestre de 2022. Esta foi a primeira vez que a companhia apresentou resultados positivos em 10 trimestres. Ao todo, a TAP acumulou prejuízos superiores a 3 mil milhões de euros no período.

Para esta segunda-feira, aguarda-se ainda a decisão sobre os serviços mínimos a cumprir durante os dias da paralisação. Sem um “entendimento” entre a administração da TAP e o SNPVAC na reunião de mediação sobre o número de voos a assegurar no período da greve, a transportadora decidiu recorrer “à arbitragem do Conselho Económico e Social.” 

São quase duas dezenas de alterações que a TAP propôs aos sindicatos no novo Acordo de Empresa. O Porto Canal teve acesso à lista detalhada das mudanças que a companhia área quer implementar, que inclui a diminuição do número de folgas e a limitação dos fins de semana livres para apenas dois a cada dois meses.

Tripulantes da TAP podem ganhar até 50% mais que na British Airways (e voar menos)

Segundo avançou o jornal online ECO em novembro, o pessoal de cabine da TAP pode ganhar até mais 50% do que os colegas da British Airways, mesmo após os cortes salariais, e fazer menos horas de voo. Os dados constam das conclusões de uma comparação feita por uma consultora para a companhia. Em resposta, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) garantiu que valores são “falsos” e “inflacionados”.

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