Um intelectual de esquerda no mundo do futebol

Um intelectual de esquerda no mundo do futebol
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Porto Canal

Artur Jorge teve uma vida rica e interventiva para lá dos relvados.

A primeira entrevista de Artur Jorge foi dada ao jornal “O Porto”, órgão oficial do FC Porto, a 28 de fevereiro de 1962. Tinha acabado de completar 16 anos, era o sócio 6725 do clube e brilhava como avançado da equipa de infantis. Já revelava algumas das características que o distinguiriam nas décadas seguintes: interessava-se mais pelas letras do que pelas ciências e dava a entender que os estudos poderiam vir a ser mais importantes do que o futebol.

Mais importantes não terão sido, mas foram seguramente relevantes e permitiram estabelecer uma distinção clara entre o perfil de Artur Jorge e o da maioria dos futebolistas seus contemporâneos. Aos 18 anos, mudou-se para Coimbra, onde para além de jogar pela Académica estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras. Viria a completar o curso na Universidade de Lisboa, quando se mudou para a capital para representar o Benfica.

Preocupado com o mundo que o rodeava e disposto a assumir posições interventivas, integrou o grupo de fundadores do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, em 1972, e foi o primeiro presidente da sua direção. Em pleno regime do Estado Novo, protagonizou o arranque da luta organizada pelos direitos laborais dos atletas.

O envolvimento com a política aprofundou-se depois do 25 de abril de 1974, em paralelo com os últimos anos de carreira como jogador. Em 1975, integrou em posição não elegível as listas do MDP/CDE – um movimento esquerdista fundado em 1969 – nas eleições para a Assembleia Constituinte.

Nos anos de transição para o percurso como treinador, nunca deixou de estudar. Em Leipzig, na República Democrática Alemã, aprofundou os conhecimentos em Metodologia de Futebol. E em Portugal completou o Curso Superior de Educação Física, o que lhe conferia um currículo académico de respeito.

Artur Jorge interessou-se pelas mais diversas formas de expressão artística e possuiu uma relevante coleção de pintura e escultura. Entre os artistas representados estavam alguns dos nomes mais relevantes da arte contemporânea, como Andy Warhol, Maria Helena Vieira da Silva, Pablo Picasso, Salvador Dalí e Yves Klein. O gosto pela leitura e pela escrita levou-o a publicar em 1983 o livro de poesia “Vértice de Água”. E o amor à música fê-lo trocar muitas vezes os comentários dos supostos especialistas pelo som dos clássicos enquanto assistia a jogos de futebol na televisão.

Em 2010, numa das últimas grandes entrevistas que deu, os jornalistas da Visão perguntaram-lhe se ainda era um homem de esquerda. Décadas depois da revolução, mantinha-se no mesmo lado: “Sou. Sempre fui. Mas uma pessoa com a minha idade não pensa como pensava há 40 anos”.

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