De Paredes a Vila d’Este. Chuva de críticas ‘ensombra’ arranque da UNIR

De Paredes a Vila d’Este. Chuva de críticas ‘ensombra’ arranque da UNIR
Foto: Ana Torres | Porto Canal
| Norte
Porto Canal

A nova rede de autocarros da Área Metropolitana do Porto, denominada UNIR, entrou em serviço esta sexta-feira, depois de um concurso público lançado em 2020, determinando uma ‘revolução’ no transporte rodoviário de passageiros na região. O arranque das operações tem sido alvo de muitas críticas por parte dos utilizadores e esta segunda-feira não foi exceção, no primeiro dia útil de serviço.

De acordo com o testemunho de diversos cidadãos, as dificuldades sentem-se em vários pontos da rede. “Em Valbom está a ser um caos. Queixaram-se na escola, mais de duas horas de manhã sem passar um autocarro”, relata fonte ao Porto Canal.

Também em Baguim do Monte, o clima foi de insatisfação na manhã desta segunda-feira. Segundo o que o Porto Canal conseguiu apurar, vários alunos, residentes em Baguim do Monte, foram a pé para Rio Tinto, dada a ausência de autocarros para o transporte dos jovens até aos respetivos estabelecimentos de ensino.

“Estamos com falhas à volta dos 15% dos percursos. Temos feito tudo o que podemos, mas aqui a culpa é da operadora. Dizem-nos que há muitos motoristas novos, que ainda não sabem os trajetos. Gostava de lhe dizer que esta falha de 15% é apenas hoje ou nesta primeira semana, mas não sabemos”, Vinca Marco Martins, presidente da Câmara de Gondomar, ao Porto Canal.

Os problemas estendem-se a Vila Nova de Gaia. Há relatos de que durante a manhã, na zona de Vila D’este, apenas os autocarros dos STCP circulavam, não havendo viaturas para assegurar os horários do grupo MGC, até então responsável pelas deslocações inter-concelhias entre Santa Maria da Feira, Vila Nova de Gaia e Porto e intra-concelhias nas freguesias gaienses de Lever, Crestuma, Sandim, Avintes, Pedroso, Vilar de Andorinho, Oliveira do Douro e Olival.

Também as principais ligações do Concelho de Paredes com as escolas não foram realizadas. De acordo com a autarquia, os motoristas não fizeram esses transportes, enquanto não esclarecessem algumas questões relacionadas com o horário de trabalho, um cenário que a Câmara Municipal considera a situação inaceitável.

A falta de informação sobre os horários e os destinos dos autocarros são apontados como os principais problemas.

Os operadores privados substituídos pela UNIR

A nova rede, concessionada por lotes, substituiu um modelo de concessões "linha a linha", que garantiam a coexistência de 30 operadores privados rodoviários na AMP, como por exemplo a Caima, AV Feirense, Transdev, UT Carvalhos, Gondomarense, Pacense, Arriva, Maré, Landim, Valpi, Litoral Norte, Souto, MGC, Seluve, Espírito Santo, Moreira Gomes & Costas, Auto Viação do Minho, Albano Esteves Martins & Filhos, A. Nogueira da Costa, lbano Esteves Martins & Filhos, entre outros.

 
 
 
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Ainda assim, este é um processo que tem gerado controvérsia, nomeadamente no que diz respeito à disponibilização de horários das paragens de autocarro, apesar das sucessivas datas apontadas pelos diferentes representantes.

E mais recentemente, o Porto Canal avançou que cerca de 40 autocarros que entraram ao serviço na passada sexta-feira sob nova marca de transportes metropolitanos do Porto UNIR chegaram em segunda-mão.

 
 
 
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Em causa estão veículos da operadora Nex Continental, pertencente ao grupo Alsa, que estiveram até há pouco tempo ao serviço da Carris Metropolitana de Lisboa. Segundo o diretor-geral do grupo Alsa Juan Gomez Piña, os autocarros serviram a Carris Metropolitana “por um curto período de tempo” e “garantem total segurança, conforto e operacionalidade, dando resposta às necessidades” dos passageiros.”

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