Arquitetos belgas instam Câmara do Porto a ouvir cidade sobre ampliação da biblioteca

Arquitetos belgas instam Câmara do Porto a ouvir cidade sobre ampliação da biblioteca
| Porto
Porto Canal/Agências

A associação belga de arquitetura que lançou um concurso de contraprojetos para a ampliação da Biblioteca Municipal do Porto disse esta sexta-feira não acreditar ser “inevitável” a construção da torre prevista no projeto, instando a autarquia a auscultar a população.

“Não acreditamos que seja inevitável divorciar o novo volume [torre] das ruas envolventes, sobretudo se o volume opaco for executado com uma pegada idêntica ao edifício existente e a inconformidade estética da fachada exterior”, lê-se numa missiva da associação enviada por email ao gabinete do presidente da autarquia, Rui Moreira, a que a Lusa teve esta sexta-feira acesso, a quem é dado conhecimento dos sete projetos alternativos recebidos no âmbito do concurso lançado no final de maio.

Apresentado em 2021, o projeto de autoria de Souto Moura procura resolver o défice crónico de espaço de armazenamento de livros e de outro tipo de espólio, nomeadamente através da construção de “uma torre” que aproveitará o espaço em altura.

Para a associação La Table Ronde de l'Architecture, independentemente das necessidades de cariz técnico-operacional do edifício atual, não se percebe a razão da autarquia para avançar com um projeto que, “mau grado o curriculum do seu autor, implicará o desvirtuar do quarteirão onde o novo corpo será construído, pelo seu traço disruptor, descontextualizado e impactante em termos urbanísticos no local e na envolvente, a nível da leitura, identidade histórica e estética da Avenida Rodrigues de Freitas, Rua Morgado de Mateus e do Largo de São Lázaro, onde até agora subsiste uma evidente harmonia”.

Apesar de reconhecer e aplaudir o interesse do município “em finalmente dar a devida atenção à Biblioteca Municipal e o seu património”, a associação dedicada à defesa e ensino da arquitetura bela, humana e sustentáve, liderada por Nadia Everard, defende a realização de pesquisa de opinião junto aos cidadãos, dado não ter havido concurso público, nem período de consulta pública.

“Idealmente, o mais justo e sensato seria abrir um concurso público, onde concorressem várias propostas de diferentes arquitetos. Porém, caso isso não seja possível, o mínimo seria abrir um período de divulgação e consulta pública”, salienta a responsável na missiva onde convida Rui Moreira a conhecer os sete projetos alternativos, nomeadamente a contraproposta vencedora de Bruno Schindler.

“É esse tipo de diálogo que deveria existir em projetos públicos, principalmente com um orçamento tão grande, que infelizmente é coberto por um grande manto de sigilo até que vários artigos sobre o projeto e a indignação pública que está a causar, resultaram na divulgação de apenas um punhado de desenhos e pouquíssimos detalhes sobre a extensão”, afirmam.

A Lusa questionou o município, mas até ao momento sem sucesso.

Após a Lusa ter noticiado, a 07 de julho, que a associação belga de arquitetura tinha lançado um concurso para ideias alternativas ao projeto de Souto Moura, considerando-o “pseudo-brutalista” e “fora de contexto”, a autarquia remeteu informação publicada na sua página oficial, onde sublinhava o compromisso do município e do autor do projeto em “preservar a herança setecentista que serve de casa a um importante espólio bibliográfico da cidade”.

Segundo a equipa do arquiteto, citada pela autarquia, "a pretensão para as obras de ampliação baseia-se numa correta integração paisagística em que os volumes propostos respeitam as características principais da malha envolvente, privilegiando os alinhamentos da preexistência, com vista a salvaguardar e valorizar a qualidade urbanística do conjunto".

A Lusa pediu também uma reação ao gabinete de Souto Moura, que não obteve ainda resposta, e ouviu o diretor do Museu e Bibliotecas do Porto, Jorge Sobrado, que se escusou a comentar a iniciativa, dizendo desconhecê-la.

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