António Cunha: “Há 40 anos, o Norte de Portugal estaria à frente da Galiza em todas as estatísticas, hoje não”

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Porto Canal

António Cunha, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), destacou, esta quinta-feira, em entrevista ao Porto Canal, em reação à grande reportagem do Porto Canal “Galiza: Espelho da Autonomia”, que, se há 40 anos o Norte de Portugal estaria à frente da Galiza em todas as estatísticas de desenvolvimento, atualmente o cenário é oposto.

"Hoje é preciso andar a procurar muito nos dados algum indicador de desenvolvimento, de riqueza, de qualidade de vida onde o Norte de Portugal esteja numa situação superior à galega", começou por dizer. 

O dirigente teceu ainda rasgados elogios ao modelo político vizinho, cujos resultados estão à vista. 

"A autonomia galega revelou-se de grande sucesso para o seu desenvolvimento, mesmo dentro de Espanha, foi uma dads regiões que teve um desenvolvimento mais acentuado. Era uma regiião muito pobre de Espanha e hoje tornou-se uma região que já não ocupa esse lugar", acrescentou, sublinhando os setores de atividades alavancados. 

"A Galiza tem índices de desenvolvimento muito interessantes, porque a autonomia permitiu apostas na economia muito fortes em determinados setores. O projeto galego é um projeto de afirmação cultural. A história da Galiza é a história de uma nação cultural europeia e a região teve a lucidez de fazer apostas muio interessantes ao nível do desenvolvimento económico, ao nível da educação", destacou. 

Sobre o panorama nacional, António Cunha defende que a Regionalização é um passo necessário, apesar da indefinição que marca o processo. 

"Tenho sempre dificuldade em avaliar a situação portuguesa. Nós temos, neste momento, uma diferença entre os dois principais partidos na oportunidade de fazer um referendo. Pelo menos não é isso que têm sido as declarações públicas do responsável do partido da oposição no sentido de ser coontrário à regionalização. Há uma questão de oportunidade, há uma questão do referendo. É evidente que adiar muitas vezes significa comprometer projetos seguros e adiar a Regionalização e adiar a regionalização para mim é algo que não devíamos fazer. Acho que este momento o importante é dar os passos certos nesse sentido e construir esse futuro e torná-lo e consolidá-lo e consumá-lo quando a situação política o permitir", concluiu. 

A reportagem “Galiza: Espelho da Autonomia” traça um retrato social, político e económico da Galiza nos últimos 40 anos. A região que vive de “braços dados” com o Norte de Portugal é considerada comunidade autónoma desde 1981, altura em que foi assinado o estatuto que ainda hoje está em vigor.

Veja aqui a grande reportagem completa:

 

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