Estado contrata empresa "em falência técnica" para decisão sobre novo aeroporto

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Porto Canal

O Estado português contratou serviços de consultoria para a escolha da localização do novo aeroporto de Lisboa a uma empresa que está em falência técnica, desde 2019. A confirmação é dada ao Porto Canal por um economista que analisou as contas da Asa Aviation Consulting e surge depois de os contratos celebrados com o Instituto da Mobilidade e Transportes (IMT) terem levantado dúvidas na Assembleia da República.

Há pouco menos de um mês, o Porto Canal noticiava que o IMT tinha contratado, por ajuste direto, serviços de consultoria, no valor de mais de 100 mil euros, para que uma empresa britânica acompanhasse os trabalhos da Avaliação Ambiental Estratégica do novo Aeroporto de Lisboa.

Na investigação, o Porto Canal apurou que a empresa não tem funcionários e que não há evidência pública de experiência no setor da aviação. Agora surgem novos dados, nomeadamente a confirmação de que a Asa Aviation Consulting, propriedade do empresário luo-venezuelano Alejandro Querido Tomás está em falência técnica, desde 2019.

Segundo Filipe Grilo, economista e professor universitário, com os dados disponibilizados pelo registo de empresas do governo do Reino Unido é possível perceber que a ASA “está numa situação particularmente preocupante e que está em falência técnica”. De acordo com o especialista, “se Alejandro Querido Tomás decidisse vender todos os seus ativos, ou seja, tudo que está registado na empresa, não conseguiria arranjar o dinheiro suficiente para pagar aos seus credores”.

Filipe Grilo acrescenta ainda que a empresa não tem dinheiro em caixa e que, no banco, os ativos da ASA não ultrapassam as 300 libras. O economista constata, por isso, que a empresa não tem dinheiro para pagar salários, beneficiando de contratos como os que lhe foram adjudicados pelo Estado português. “Este contrato caído do céu vais ser uma lufada de ar fresco para esta empresa aguentar pelo menos mais um ou dois anos” afirma o especialista.

Entretanto, o Porto Canal conseguiu contactar a ASA Aviation Consulting, via email. Mas Alejandro Querido Tomás recusou comentar o facto de a empresa estar em falência técnica. Explica, no entanto, o porquê de não ter mais profissionais a trabalhar consigo. “Pela especificidade do exercício da atividade de prestação de serviços de consultoria internacional, as equipas técnicas da ASA Aviation são constituídas de forma flexível, em função da natureza dos projetos", afirma em comunicado.

Já quanto ao registo da experiência profissional, a ASA Aviation Consulting utiliza a mesma resposta dada, anteriormente, pelo Ministério das Infraestruturas. Relembra que Alejandro Querido Tomás conta com uma experiência profissional de 28 anos, 25 dos quais dedicados, em exclusivo, à área do transporte aéreo e aeroportos.

Questionada ainda pelo Porto Canal sobre que influência terá na escolha da localização do novo aeroporto de Lisboa, a ASA Aviation Consulting diz estar protegida por um acordo de confidencialidade com o Instituto da Mobilidade e Transportes.

O Porto Canal voltou, por isso, ao contacto com o IMT que recusou esclarecimentos adicionais, remetendo uma posição oficial para a audição do presidente do IMT, Eduardo Feio, na Assembleia da República.

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