Ébola: Denúncias sobre deficiências na aplicação de protocolos em Espanha

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Porto Canal / Agências

Madrid, 07 out (Lusa) - Enfermeiros e outros trabalhadores sanitários espanhóis denunciaram nos últimos dias várias deficiências na aplicação dos protocolos de proteção de pessoal envolvido no atendimento a pacientes com o vírus do Ébola em Madrid.

As denúncias - a mais recente das quais durante o fim de semana passado - apontam vários problemas de segurança que não cumprem os protocolos internacionais que detalham os procedimentos a adotar com o pessoal.

As denúncias aumentaram na segunda-feira quando se confirmou o primeiro caso de contágio de Ébola na Europa, o de uma auxiliar de enfermaria que integrou a equipa que atendeu os dois missionários espanhóis que morreram vítimas do mesmo vírus em Madrid.

Ana Mato, ministra da Saúde espanhola, disse na segunda-feira que as autoridades estão a analisar se os protocolos foram adequadamente seguidos, tendo Antonio Alemany, diretor-geral de Atenção Primária da comunidade de Madrid, admitido que se desconhece por enquanto "onde poderá ter estado o foco de infeção".

Apesar das garantias dadas pelo Governo, um grupo de enfermeiros que está a preparar uma tese doutoral sobre biossegurança para o tratamento do Ébola denunciou no domingo, um dia antes de este caso ser diagnosticado, várias deficiências nos protocolos de proteção de pessoal.

Esta denúncia foi apresentada no Conselho Geral de Enfermaria - que reúne todos os colégios de enfermeiros - que nomeou já uma equipa de quatro especialistas para analisar todos os elementos da denúncia e preparar um relatório a enviar às autoridades sanitárias.

Máximo González Jurado, presidente da entidade, recusou-se aos a confirmar aos jornalistas os problemas denunciados, admitindo porém que o documento é "muito preocupante".

O texto diferencia claramente os protocolos estabelecidos para a aplicação aos pacientes e para a segurança dos profissionais, sendo que os problemas encontrados se centram apenas neste último campo.

Para González Jurado, o caso conhecido na segunda-feira demonstra que "o protocolo de segurança falhou" porque se não tivesse falhado, "não teria havido contágio".

O contágio do vírus do Ébola entre humanos ocorre por contacto direto com órgãos, secreções ou sangue, com o vírus a entrar através de mucosas ou pequenas feridas na pele.

Além de problemas com os protocolos em vigor desde agosto, para o caso de Ébola, González Jurado - que é também presidente da Rede Europeia de Segurança - denuncia que a Diretiva Europeia de Biosegurança, emitida há quatro anos, "não está a ser corretamente implementada em Espanha".

"Apesar dos três anos de prazo dado para aplicar as diretrizes, quase quatro anos depois a Espanha continua a fazer as coisas mal ou de forma desigual", sustentou.

Também trabalhadores do hospital Carlos III e representantes da Central Sindical Independente de Funcionários (CSI-F) criticam os protocolos seguidos, recordando que já em agosto tinham avisado a direção do centro de que não estava preparado para atender a pacientes contagiados pelo vírus do Ébola.

O sindicato indicou que o material usado na aplicação às duas vítimas mortais não respeita "os valores de prevenção definidos pela OMS", já que os protocolos definem o uso de um uniforme de nível 4 (completamente impermeável e com respiração autónoma) quando no Carlos III se usa apenas um de nível 2.

Uma queixa rejeitada por Yolanda Fuentes, subdiretora do Carlos III, que garantiu que "os uniformes usados cumprem perfeitamente o protocolo e as medidas de proteção requeridas para esta doença".

ASP // JPS

Lusa/Fim

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