Câmara do Porto espera avançar com Museu da Indústria no CACE Cultural em 2027
Porto Canal/Agências
A Câmara do Porto espera avançar em 2027 com a obra relativa ao Museu da Indústria no CACE Cultural, na zona do Freixo, freguesia de Campanhã, revelou esta terça-feira o vereador da Cultura e Património, Jorge Sobrado.
“Quanto ao Museu da Indústria, temos a expectativa de em 2027 a obra poder avançar no antigo CACE [Centro de Apoio à Criação de Empresas] Cultural, envolvendo os volumes que ficarão afetos ao museu e reconhecendo que há um trabalho longo, moroso e dispendioso de recuperação de restauro do acervo industrial da cidade - que nas últimas décadas não teve o tratamento desejado”, revelou o vereador Jorge Sobrado.
O assunto foi levantado pelo vereador do PS Jorge Garcia Pereira, que questionou o executivo de Pedro Duarte pelo estado do espólio deste museu que “há mais de uma década que está arquivado depois de ter sido inventariado” e armazenado “nuns armazéns na zona industrial do Porto”.
Foi em julho de 2021, que a autarquia anunciou novos projetos para os terrenos municipais na Antiga Central Elétrica do Freixo onde, desde o início dos anos 2000, funcionava o Centro de Apoio à Criação de Empresas (CACE), gerido pelo Instituto do Emprego Formação Profissional (IEFP), estando instaladas naquele espaço várias empresas do setor criativo.
Durante uma reunião de executivo, o arquiteto responsável pelo projeto, Guilherme Machado Vaz, especificou que na nave principal do edifício iria nascer uma extensão do Museu do Porto, seriam criados ateliês, espaços de ensaios e ainda uma ‘blackbox’, apontando o arranque das obras para “meados de 2022”.
Em fevereiro de 2024, numa reunião da Assembleia Municipal do Porto, o então presidente Rui Moreira revelou que a autarquia ponderava recorrer à justiça para recuperar os terrenos do CACE, que continuavam com as empresas criativas lá instaladas e que ainda não tinha sido devolvidos pelo IEFP ao município.
"Há um conjunto de edifícios, um dos quais é preciso para o museu, que o IEFP entregou a terceiros. Já notificámos a diretora e o IEFP não nos devolve o que é nosso. Provavelmente vamos ter de recorrer ao DIAP [Departamento de Instrução e Ação Penal] para dizer que o IEFP não devolve”, afirmou à data.
O autarca, que respondia a uma questão levantada pelo deputado Rui Sá, da CDU, assegurou que o município tinha “tudo pronto para avançar” com o projeto do Museu da Indústria, mas que, face à inoperância do IEFP, teria de fazer “alguma coisa”.
“Andam-nos a dar tanga”, referiu, acrescentando que o IEFP entregou o espaço a uma empresa e que não pode ser a autarquia a despejá-la.
Mais tarde, em fevereiro de 2025, Rui Moreira informou os deputados da Assembleia Municipal do Porto que a autarquia já tinha acordado com o IEFP a entrega do CACE, mas parte do imóvel continuava ocupada por uma empresa.
O Museu do Porto é composto por 17 espaços de natureza diversa, como espaços arqueológicos, reservatórios, espaços industriais, com jardins, quintas e parques, bibliotecas e o arquivo histórico.
Numa publicação na página oficial, a Câmara do Porto avançou em 25 de janeiro de 2024 que o Museu CACE representava “um investimento municipal a rondar os 4,3 milhões de euros” e que deveria “arrancar previsivelmente no último trimestre do ano”.
