CDU, Bloco de Esquerda e ADN debatem futuro habitacional nos terrenos da Petrogal

CDU, Bloco de Esquerda e ADN debatem futuro habitacional nos terrenos da Petrogal
Foto: Inês Saldanha | Porto Canal
| Norte
João Nogueira

A habitação esteve no centro do debate desta quarta-feira entre três dos candidatos à Câmara de Matosinhos na corrida autárquica deste ano. Os terrenos da antiga refinaria da Petrogal, em Leça da Palmeira, são vistos pelos partidos como uma oportunidade para colmatar este problema. Com cerca de 100 hectares sob gestão municipal, a oposição critica a autarquia por não dar prioridade à habitação acessível num concelho onde a crise habitacional se agrava.

José Pedro Rodrigues, da CDU, considera que esta é uma “oportunidade histórica” para criar habitação pública e a custos controlados, reduzindo a especulação imobiliária e oferecendo soluções reais à população. “A Câmara pode e deve usar os terrenos para baixar os preços da habitação”, afirmou.

Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, lamentou que apenas 10% da área esteja prevista para habitação e que esta nem sequer tenha como critério central a acessibilidade. “O executivo municipal apresenta um vazio absoluto quando se trata de habitação para quem precisa. Está a entregar os terrenos ao setor privado, que continuará a alimentar os preços altos”, criticou, defendendo que, como em cidades como Paris, se imponha uma quota mínima de 25% para fogos com preços acessíveis.

O Bloco, aponta ainda que os 500 fogos prometidos no âmbito do PRR e que ainda estão em construção, são insuficientes para responder às 1750 famílias com carência habitacional identificadas no concelho. “A manta que a Câmara foi buscar ao PRR deixa demasiadas pessoas com os pés de fora”, acusou Pedro Filipe Soares.

A CDU destaca ainda a existência de mais de 6500 fogos potencialmente devolutos em Matosinhos, cerca de 10% do parque habitacional, e defende que a autarquia deve acelerar o diagnóstico, negociar com os proprietários e integrar esses imóveis num parque público de arrendamento acessível.

Já Vasco Martins, do ADN, propõe um plano municipal de habitação acessível com prioridade para jovens, seniores, famílias monoparentais e residentes há mais de três anos em Matosinhos.
Para os terrenos da antiga refinaria, em Leça da Palmeira, o candidato levantou uma bandeira ambiental como parte de uma aposta na mobilidade sustentável: “a instalação de uma estação de carregamento de hidrogénio verde para veículos ligeiros e pesados”.

Para a oposição é clara a Câmara pode estar a desperdiçar uma das maiores oportunidades de intervenção urbana dos últimos anos, ao deixar a habitação acessível em segundo plano e ao entregar grande parte dos terrenos a privados e ao mercado.

 
 
 
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