Núcleo do Museu do Porto abre na Alfândega, onze meses e 132 mil euros de renda depois

Núcleo do Museu do Porto abre na Alfândega, onze meses e 132 mil euros de renda depois
Foto: Pedro Benjamim | Porto Canal
| Porto
Ana Francisca Gomes

A Câmara Municipal do Porto vai inaugurar o núcleo central do Museu do Porto no edifício da Alfândega esta sexta-feira, quase um ano após ter começado a pagar uma renda de 12 mil euros mensais (mais IVA) pelo espaço, que até agora estava vazio.

Foi há mais de um ano, a 12 de fevereiro de 2024, que o executivo municipal aprovou, com abstenção do Bloco de Esquerda, a celebração de um contrato entre o município do Porto e a Associação para o Museu de Transportes e Comunicações (cessionária do Edifício da Alfândega) para a instalação no núcleo central do Museu do Porto no primeiro piso da ala nascente. O contrato assinado teve início no mês de março e desde aí que a autarquia liderada por Rui Moreira tem pago mensalmente 12 mil euros (mais IVA).

Ao todo já foram pagos, pelo menos, onze meses de renda, o equivalente a 132 mil euros, aos quais acresce ainda o valor do IVA.

Esta sexta-feira vai ser inaugurada a exposição "Revelação – Manuscritos Sagrados de Santa Cruz de Coimbra", que tem curadoria de Rita Roque e Jorge Sobrado e consultoria científica de José Meirinhos, e que “traz a público 27 códices medievais que faziam parte da Livraria de Mão do antigo Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, numa exposição intimista e singular” informa a autarquia num comunicado enviado às redações.

A exposição, que se insere num programa de iniciativas “que visam minimizar o impacto do encerramento da Biblioteca Pública Municipal do Porto”, abre ao público esta sexta-feira às 18 horas e terá entrada livre, de terça a domingo, das 10h às 17h30.

O Museu do Porto é um conjunto de 17 espaços culturais da cidade, desde bibliotecas, quintas, parques, jardins, e o próprio arquivo histórico. No início do ano de 2023, após Jorge Sobrado ter assumido a direção das Bibliotecas do Porto e do então “Museu da Cidade”, foi anunciada uma reestruturação. É desse novo modelo que surge a intenção de criar um núcleo central para o Museu - que até então não existia.

Em Maio de 2024, o Porto Canal apurou que o piso alugado permanecia vazio, não tendo sido dado início ao transporte do espólio. O município escudou-se, à data, na saída de Jorge Sobrado da direção do Museu e das Bibliotecas do Porto para a vice-presidência para a Cultura na CCDR-Norte.

“Com a mudança na direção houve um ligeiro atraso no processo, compreensível com a transição e assunção de funções da nova diretora municipal da Cultura, Alexandra Cerveira Lima, que teve de se inteirar de todos os processos e dossiers em curso”, esclareceu o Departamento Municipal de Comunicação e Promoção em resposta ao Porto Canal, que acrescentou que o trabalho previsto continuava a ser desenvolvido, uma vez que já foi “feito o levantamento (desenho) do espaço e estruturas existentes”.

Na proposta da celebração do contrato, votada em fevereiro, o presidente da autarquia escrevia que a área arrendada foi “objetivo de avaliação externa, tendo sido estimado o valor de renda mensal em 15 mil euros”. Assim, afirmava Rui Moreira, “o município pagará uma renda mensal inferior à renda de mercado estimada” pelo espaço de 2000 metros quadrados. O contrato celebrado terá a duração de dois anos e renova-se automaticamente por períodos de um ano.

À espera da morada definitiva no Palácio de São João Novo

A passagem do Museu do Porto (antigo ‘Museu da Cidade’) pelo edifício da Alfândega deverá ter uma duração de sete anos. O seu núcleo central está à espera da reabilitação e recuperação do Palácio de São João Novo - que será a sua morada definitiva.

Em fevereiro de 2024, fonte da autarquia avançou ao Porto Canal que nesse ano seria feito o estudo de patologias do edificado e o levantamento integral. Só em em 2025 é que se iniciaria o “projeto de arquitetura, 'fit out' e museografia” da estrutura que pertence ao Ministério da Cultura. “Seguem-se depois especialidades e concurso de execução”.

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