Metro chega ao centro de Gondomar em 2030, mas não servirá todo o concelho

Metro chega ao centro de Gondomar em 2030, mas não servirá todo o concelho
| Norte
Fábio Lopes

A necessidade de assegurar uma ligação de metro mais rápida entre a Estação de Campanhã e o núcleo urbano de Gondomar é uma reivindicação que se vem arrastando, ao longo de vários anos, na Área Metropolitana do Porto (AMP). Prevista no plano de expansão da Metro de 2008 acabou por ficar na gaveta e nunca mais avançou. Agora, a esperança renasce na região com o anúncio da linha Gondomar II (Dragão - Souto).

A 21 de maio de 2007 decorreu a assinatura do memorando de entendimento entre a AMP e o Governo que, para além de alterar a estrutura societária da empresa Metro do Porto (que passou a ser detida maioritariamente pelo executivo), assumiu o compromisso de até 2018 concluir a segunda fase do metro, o que incluía as linhas do Campo Alegre (Matosinhos/Sul-S. Bento), S. Mamede (Polo Universitário/Vasco da Gama), o prolongamento da Linha Amarela entre Santo Ovídio e Vila D’Este e a ligação ao centro de Gondomar, pela zona de Valbom.

"Não é aceitável que dos sete concelhos que têm metro, Gondomar seja o único em que ele não vai à sede"

As aspirações regionais esbarraram no despacho do secretário de Estado dos Transportes que suspendeu, a 24 de maio de 2011, o lançamento do concurso para a construção da 2.ª fase da rede. Ficava, assim, adiada a chegada do metropolitano à sede do concelho de Gondomar, um dos principais pontos de revolta.

"Não é aceitável que dos sete concelhos que têm metro, Gondomar seja o único em que ele não vai à sede", sublinhava, em 2010, à agência Lusa, o então presidente da Câmara de Gondomar, Valentim Loureiro e presidente do conselho de administração da Metro do Porto.

Valentim Loureiro referia que a linha Campanhã-Gondomar/São Cosme foi "aprovada pelo governo de Durão Barroso em 31 de Julho de 2003" mas "acabou por ser amputada e ficar a pouco mais de meio". "O então ministro Mário Lino e uma secretária de Estado convenceram-me que se a linha ficasse aqui (Fânzeres), avançaria logo uma nova. Eu fui na conversa e agora temos a linha a três/quatro quilómetros da sede do concelho e a outra está no papel", recordava à altura o autarca.

Linha de Valbom de 2008 previa ligação de Campanhã a Gondomar em oito minutos

O projeto de expansão de 2008, no caso de Gondomar, previa que de Campanhã, o metro saísse por um túnel de 800 metros até ao Freixo, onde teria uma primeira estação à superfície, regressando ao subsolo para percorrer mais um túnel, com dois quilómetros de extensão, sob a encosta do Douro, prosseguindo em direcção ao centro de Gondomar, atravessando as estações subterrâneas de "Dr. A. Matos", sob a Rua Pe. António Maria Pinho, e de "Sousa Pinheiro". Já no centro de Valbom. Aqui, o metro retornaria à superfície para cruzar o IC29 num viaduto dedicado até chegar ao centro de Gondomar, junto à Praça da Feira.

Mais tarde, em 2016, Marco Martins, o atual edil de Gondomar, revelou que o governo comprometeu-se em realizar um conjunto de estudos para decidir que linhas deveriam avançar e, “foi aí que percebemos que a linha do Freixo não tinha pernas para andar” porque não cumpria os critérios exigidos de procura.

Para o autarca, o assunto não poderia ficar por aqui e era urgente ser criada uma solução, uma alternativa para o concretizar do projeto.

“Na altura elaboramos logo um pré projeto de uma possível ligação a uma zona mais a norte para ligar em vez de ser à feira, realizar esta ligação pelo Souto e fomos desenvolvendo esse trabalho com a Câmara do Porto afinando com o seu presidente que sempre foi inexcedível nesta matéria comigo. Em 2019, estabilizamos o traçado e em janeiro de 2020 começaram a ser feitos os estudos”. O governante explica que, em fevereiro de 2020 deu-se início à assinatura protocolar da Metodologia dos Estudos entre a Área Metropolitana do Porto e o Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, na Câmara Municipal de Gondomar.

Marco Martins sublinha que este novo traçado apresenta a vantagem fundamental que passa pela realização da ligação direta com a atual rede, “com esta linha a zona Oriental do Porto ficará mais próxima aos centros de Valbom e de Gondomar”.

Assim, para o novo traçado, agora apresentado, que apresentará uma extensão de 6,90 km, dividida por oito estações, está prevista a ligação ao Estádio do Dragão, existindo pontos de paragem em São Roque, Cerco, Lagarteiro, Lagoa, Valbom, Hospital Fernando Pessoa, Oliveira Martins e Souto.

 
 
 
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Este é um investimento que, juntamente com a expansão do Metro do Porto para a Trofa vai avançar em 2024 com 259 milhões de euros provenientes do Fundo de Coesão da União Europeia.

A Metro do Porto anunciou, esta sexta-feira, um Concurso Público Internacional para a execução de anteprojetos e desenvolvimento dos estudos de impacto ambiental de quatro novas linhas. Em causa estão os traçados Gondomar II (Dragão - Souto), ISMAI - Muro - Trofa (Paradela), Maia II (Roberto Frias - Parque Maia - Aeroporto) e São Mamede (IPO - Estádio do Mar).

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