Corrupção no Benfica. A (longa) história de um mega processo agora declarado “urgente”

Corrupção no Benfica. A (longa) história de um mega processo agora declarado “urgente”
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Porto Canal

Tal como o Porto Canal noticiou, o Ministério Público definiu como “urgente” o mega processo de corrupção no qual vários administradores e a própria SAD do Benfica são arguidos. Na base desta decisão estão os factos apurados no decurso da investigação e o risco de prescrição. Mas o que está por trás deste processo que volta a deixar em sobressalto o universo benfiquista?

A SAD do Benfica tem estado consecutivamente sob fogo intenso das autoridades. Polícia Judiciária (PJ) e Ministério Público (MP) já associaram as ‘águias’ a um sem número de processos judiciais. “Mala Ciao”, “Vouchers”, “Saco Azul”, “Operação Lex” e “E-Toupeira” vão pairando sobre o emblema lisboeta, colocando um manto de incerteza e dúvida sobre a legitimidade desportiva e administrativa do Benfica. Este mega processo, constituído em 2018, foi noticiado pelo Jornal de Notícias como uma investigação à alegada prática de crimes de corrupção desportiva, tráfico de influências e oferta e recebimento indevido de vantagem.

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Edgar Costa admitiu a tentativa de suborno do Benfica

Em junho de 2019, Edgar Costa, atleta da equipa do Marítimo, denunciou à procuradora Andrea Marques uma tentativa de suborno de Miguel Pinho. O empresário terá proposto a alguns jogadores “verde-rubros” que jogassem mal de forma a perderem contra os encarnados, num jogo relativo à época 2015/2016, tendo a SAD do clube da Luz e os membros do Conselho de Administração sido constituídos arguidos. Este não foi, no entanto, o único caso de aliciamento e práticas duvidosas.

Um aliciante convite para "jogarem mal de propósito" em troca de milhares de euros

De acordo com o Jornal Expresso, dois jogadores do Marítimo garantiram ter sido abordados por empresários afetos ao Benfica, que lhes terão prometido dinheiro “para jogarem mal de propósito”. O caso relatado à procuradora remonta a maio de 2016, dois dias antes de uma partida frente ao Benfica, na penúltima jornada da época 2015/16.

A formação encarnada venceu por 2-0, na Madeira, tendo conquistado o campeonato com dois pontos de vantagem para o Sporting de Jorge Jesus. Edgar Costa admitiu ser um desses atletas (ao contrário do outro atleta, cuja identidade nunca foi conhecida). A conversação “em nome do Benfica”, aconteceu com o objetivo de ser feita uma oferta “no valor de 30 mil euros” se o jogador se demonstrasse disposto “a jogar mal e não rematar à baliza”. Posteriormente, um novo contrato, acompanhado por um bom ordenado e com um clube cujo nome não foi abordado, seria apresentado. O semanário Expresso afirma ter contactado Miguel Pinho, que considerou as acusações “descabidas e sem fundamento”.

Rio Ave, outras 'vítimas' dos subornos encarnados

Em 2019, Lionn, ex-jogador do Rio Ave, em declarações feitas no Tribunal de Esposende, acusou o empresário César Boaventura de, nas vésperas do jogo entre o Rio Ave e o Benfica, da época 2015/16, o ter tentado subornar.

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Lionn e Marcelo, dois dos alvos de César Boaventura

Confrontado com as acusações do lateral, o empresário negou qualquer tipo de aliciamento, deixando até a garantia de que irá avançar em tribunal contra este. "Vou mover um processo contra esse jogador, porque isto é totalmente falso. Ele vai ter de provar em tribunal o que disse".

Posteriormente foi Cássio a acusar o empresário de Viana do Castelo de tentativa de suborno. O guardião do emblema vilacondense deu conta do sucedido aos responsáveis do clube, que optaram por manter o caso em segredo. O guarda-redes, que foi titular neste jogo, disse sempre estar disposto a colaborar com a Polícia Judiciária e testemunhar contra o César Boaventura.

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O ex-guarda redes do Rio Ave, Cássio confirmou à PJ a abordagem de César Boaventura, empresário afeto ao Benfica

À altura dos factos vários elementos do plantel do Rio Ave tinham os telefones sob escuta, na sequência de uma suspeita de de viciação de resultados, relacionada com apostas. Uma das conversas que chamou a atenção dos investigadores foi precisamente de Cássio com César Boaventura e que viria a ser revelada.

A suspeita conversa

- "Cássio, estás sozinho? Precisava de te dar uma palavrinha, mas pessoalmente, porque os telemóveis nascem com ouvidos.
- Se isto é de Lisboa, nem vale a pena conversar. Não quero saber.
- Sim, por acaso uma parte até é, a outra não."

Cássio contou o sucedido a um amigo, mensagens que acabaram também por ser partilhadas:

- "Lembra aquilo que você me perguntou? Teve aqui um gajo que me tentou fazer o mesmo outra vez.
- É o mesmo da outra vez? Lá de Paços de Ferreira?
- Não, este é outro."

Nélson Monte, atual atleta do Desportivo de Chaves, confessou também às autoridades que o empresáro foi visto nas instalações do clube de Vila do Conde em finais de março de 2016. O central disse que o empresário terá tentado aliciar Marcelo para o encontro referente à temporada 2015/2016.

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Uma influência crescente fora das quatro linhas

A par destas acusações e dos célebres "padres para missas…" - linguagem cifrada, que, na interpretação da Polícia Judiciária, significava "árbitros favoráveis para jogos do Benfica", referente ao caso dos Vouchers - passou a investigar-se o poder de influência da formação lisboeta também na dependência económica sobre pequenos clubes, como o Desportivo das Aves, o Santa Clara ou o Setúbal, processo que ficou conhecido 'Mala Ciao'. Luís Filipe Vieira é suspeito de ter ajudado esses clubes, com empréstimos e transferências de jogadores a custo zero, para que facilitassem em campo nos jogos frente ao Benfica.

Sob investigação estão as transferências de Patrick, César Martins ou de Martin Chrien em condições muito favoráveis ao clube açoriano. Uma vasta teia de práticas duvidosas, ocorridas nos bastidores, com vista a subverter a verdade desportiva, numa tentativa de quebrar a hegemonia do FC Porto.

Entre a perda de pontos e uma pesada multa

César Boaventura e Miguel Pinho incorrem num crime de corrupção ativa, que pode ter repercussões tanto na justiça desportiva, como na civil. Caso se prove o envolvimento do clube, o regulamento disciplinar da Liga, à época, prevê no seu artigo 63º que a corrupção na forma tentada seja punida com a "subtração de três pontos na prova em curso na época desportiva correspondente à data em que a decisão condenatória se tornar definitiva".

À perda de pontos, acresce uma multa que varia entre os 12.750 e os 51.000 euros. Já no âmbito cível, a pena para corrupção ativa chega a um máximo de três anos de prisão, com possível multa.

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