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Câmara do Porto quer ceder por três anos ambulância para crianças da pediatria do S. João

Câmara do Porto quer ceder por três anos ambulância para crianças da pediatria do S. João
| Norte
Porto Canal com Lusa

A Câmara do Porto quer ceder, a título gratuito, pelo prazo de três anos, uma ambulância afeta aos Sapadores do Porto para transportar as crianças dos contentores onde funciona atualmente a pediatria para dentro do Hospital de São João.

Na proposta a que a Lusa teve acesso e que vai ser votada na reunião camarária de terça-feira, o município propõe-se aprovar a celebração com o Centro Hospitalar de São João (CHSJ) do “protocolo de cedência de uma ambulância, por razões de interesse público", justificando a decisão com o risco que a atual situação representa.

"O transporte de crianças imunodeprimidas em ambulâncias que realizam o transporte de outro tipo de doentes pode representar um risco acrescido de infeção", lê-se no documento.

A proposta adianta que "quer a Associação de Oncologia Pediátrica do CHSJ, quer o conselho de administração do Centro Hospitalar de São João, assinalam a dificuldade que representa o transporte das crianças dentro do perímetro do próprio hospital, quando se torna necessário que sejam atendidas por especialidades não disponíveis na provisória Ala Pediátrica ou quando têm de ser transportadas a outras unidades de saúde para tratamentos ou diagnósticos complementares”.

Segundo documento, "é possível ao município, sem prejuízo para o atendimento das suas populações noutras áreas de intervenção, dispensar uma das suas viaturas, tanto mais que se encontra em processo de renovação e reforço da sua frota", pelo que, pretende ceder, "a título gratuito e temporário, pelo prazo de três anos uma viatura da frota afeta ao Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto".

A proposta adianta que "a constatação da degradação física das instalações provisórias dessa provisória Ala Pediátrica do Hospital de São João e as dificuldades de rápida contratação descritas pelo atual Governo levaram, recentemente, a Câmara Municipal do Porto a disponibilizar-se de novo para, dentro das suas competências, colaborar na melhoria das condições enquanto durarem os processos de contratação pública e construção", contribuindo para "um maior conforto e qualidade do atendimento dos utentes".

No documento, o município, liderado por Rui Moreira, refere que o projeto iniciado, e que incluía uma componente privada de ‘crowdfunding’ (angariação de dinheiro), não chegou a ser completamente executado, agravando substancialmente a situação do atendimento das crianças utentes do Hospital de São João, remetidas para anexos ao edifício principal.

A proposta de protocolo de cedência de uma ambulância ao Centro Hospitalar de São João surge depois de o presidente da autarquia ter dito, na sessão de 19 de novembro da Assembleia Municipal, que caso o ministério não fizesse, iria comprar uma ambulância para transportar as crianças internadas nos contentores da pediatria do São João, até que a nova ala seja construída.

"Tenho fortíssimas suspeitas quanto à boa vontade do Ministério da Saúde nesta matéria. Porque tinha sido prometido, e está previsto desde junho, a reabilitação dos contentores onde as crianças ainda vão estar durante muito tempo. São 300 mil euros, sabe o que foi feito? Não foi feito nada. E isso ajudava, como ajudava colocar lá uma ambulância", afirmou na ocasião Rui Moreira, destacando que esta é uma situação de emergência.

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