Novas carruagens do metro não agradam a “gregos e troianos”
João Nogueira
“São mais bonitas e estéticas, mas há elementos que ficam aquém comparando carruagens antigas”. É assim que os passageiros descrevem os novos veículos CT da rede da Metro do Porto, meio ano depois de entrarem em circulação. Não há unanimidade nas opiniões sobre as novas composições, com parte dos utilizadores a revelarem-se satisfeitos com os novos veículos enquanto que para outros estes representam uma regressão face aos que já existiam. Ao Porto Canal a empresa frisa que as carruagens respeitam todas as especificidades exigidas.
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Quando entra nas carruagens, as portas e as barras de apoio no interior dos veículos parecem mais pequenas aos olhos do maiato Rafael Moreira. Não só aos olhos, mas também à cabeça, que tem de baixar para não embater nas estruturas de apoio no interior dos novos veículos.
“Talvez o fabricante se tenha esquecido de considerar as pessoas mais altas ou alguma coisa assim”, brincou o jovem em declarações ao Porto Canal, referindo que por esse motivo prefere as barras de apoio dos outros metros.
As novas viaturas foram projetadas e construídas pelo maior fabricante mundial de material circulante ferroviário, a chinesa CRRC Tangshan.
Em resposta ao Porto Canal, a Metro do Porto refutou as críticas e esclarece que as especificidades das carruagens “respeitam a legislação portuguesa aplicável, as especificações da Metro do Porto e todas as normas internacionais da indústria”.
A empresa realça que as carruagens e as suas características foram estudadas pelo fabricante e pelo gabinete de design e aprovadas pela Metro do Porto e entidades externas independentes.
Mas os comentários dos utilizadores não se ficam pela estética e componentes estruturais dos veículos. Para Tiago Gomes, o sistema de videovigilância das novas carruagens é algo que deve ser elogiado. "Acho que é uma coisa boa, até mesmo para o maquinista, em termos de segurança", opinião partilhada por muitos passageiros que admitem que este sistema os faz sentir mais seguros.
Ao Porto Canal a Metro do Porto esclarece que as câmaras de videovigilância “foram inseridas de modo a aumentar e melhorar os mecanismos de segurança existentes”.
Para António Castro, de 36 anos, as novas carruagens são consideravelmente melhores e têm as suas vantagens. “Uma pessoa vai com mais conforto e acho que com mais segurança. Também acho que eu acho que deviam ser adotadas em todas as linhas e mais longas”, declarou o utilizador.
No entanto, nem todos estão satisfeitos com este “upgrade” da empresa. Parte dos passageiros relata dificuldades com os assentos frente a frente quando são ocupados em simultâneo, uma queixa repetida especialmente pelos mais idosos. Eunice Silva explica que "nos bancos onde as pessoas têm que subir, acho que é difícil para as pessoas, sobretudo com mais idade, de conseguirem subir àqueles lugares (...) diria que não foi bem pensado". Este problema é apontado como particularmente significativo para aqueles com mobilidade reduzida.
Por seu lado, Rui Monteiro assume-se muito contente com as novas viaturas e tece elogios à empresa: “Mais confortáveis, mais práticas. São melhores. Mesmo na parte da comunicação digital, parecem também ter melhorado”.
