CDU pede "dignidade" à Metro do Porto para moradores do bairro de Massarelos
Porto Canal/Agências
A CDU do Porto pediu "dignidade" para os moradores do bairro de Massarelos que foram contactados pela Metro do Porto para saírem temporariamente das suas casas, devido à construção da ponte da Ferreirinha.
Em comunicado divulgado esta terça-feira, os comunistas pedem ainda à Câmara do Porto que cumpra a sua "obrigação de defender" os moradores e para eles garantir "soluções justas" enquanto estiverem fora de casa, devido às obras relativas à nova infraestrutura que ligará o Porto a Vila Nova de Gaia, no âmbito dos trabalhos para a Linha Rubi do Metro do Porto.
"Moradores que residem no chamado bairro da Associação de Moradores de Massarelos foram contactados pela empresa Metro do Porto para abandonarem temporariamente as suas residências, em virtude dos riscos decorrentes da construção do tabuleiro da designada ponte da Ferreirinha, que passará sobre as mesmas, existindo risco de queda de objetos", denunciam os comunistas, em comunicado divulgado esta terça-feira.
Segundo a CDU, este contacto abrange 14 famílias do bairro, numa decisão "com forte impacto humano e social" que foi comunicada aos moradores "como se se tratasse de um mero procedimento administrativo".
"A CDU não pode deixar de lamentar que esta comunicação, que necessariamente estava prevista e planeada há muito tempo, só agora tenha sido transmitida aos moradores, e de forma administrativa e impessoal, com a proposta de atribuição de uma verba por família e a transferência para cada agregado da responsabilidade pelo seu próprio realojamento temporário durante os três meses previstos de afastamento — solução que, como é sabido, algumas famílias não aceitaram", apontam.
A CDU pede, assim, que as pessoas sejam "realojadas em habitações na proximidade do bairro, em tipologias no mínimo idênticas às atuais, com apoio integral no transporte de bens" e garantias escritas no realojamento, além do pagamento de serviços e disponibilização de eletrodomésticos equivalentes.
"Não é aceitável que, numa obra que envolve milhões de euros de investimento público, se disponibilizem verbas manifestamente insuficientes - 'tostões' - para quem não teve qualquer responsabilidade na escolha do local da ponte e que, só por esse facto, já ficaram extremamente penalizados", critica aquela coligação política (PCP/PEV), representada na Assembleia Municipal do Porto.
Na noite de segunda-feira, na Assembleia Municipal, o deputado municipal Francisco Calheiros já tinha alertado para a questão, pedindo que a autarquia esteja "envolvida nas conversas" entre a Metro e os moradores, nomeadamente sobre o que acontece se se prolongar o período de três meses em que têm de estar fora das suas casas.
Para a CDU, é "igualmente lamentável" que a câmara e a União das Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos sigam "à margem deste processo" em vez de defenderem os munícipes.
A Lusa questionou a Metro do Porto sobre este assunto, estando a aguardar resposta.
A Linha Rubi, com 6,4 quilómetros e oito estações, inclui uma nova travessia sobre o Douro, a ponte D. Antónia Ferreira "a Ferreirinha", que será exclusivamente reservada ao metro e à circulação pedonal e de bicicletas.
Em Gaia, as estações previstas para a Linha Rubi são Santo Ovídio, Soares dos Reis, Devesas, Rotunda, Candal e Arrábida, e, no Porto, Campo Alegre e Casa da Música.
A empreitada tem de estar concluída até ao final de 2026, mas fonte do Metro do Porto já admitiu à Lusa que a ponte só deverá estar concluída em 2027.
O projeto tem um custo de 487,9 milhões de euros, sendo financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e Orçamento do Estado (OE).
