É a única região espanhola imune à extrema-direita e vai a votos

É a única região espanhola imune à extrema-direita e vai a votos
Reuters
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Porto Canal / Agências

Vai a votos no próximo domingo, em eleições autonómicas, e é a única região espanhola em que a extrema-direita não tem representação no parlamento regional, devendo manter-se assim, dizem as sondagens e os analistas.

Ao mesmo tempo que parece recusar a extrema-direita, a Galiza dá sempre, em eleições regionais, a vitória ao Partido Popular (PP, direita).

"A forte implantação territorial e eleitoral do PP na Galiza explica, também, a ausência até agora do Vox [partido de extrema-direita] nas instituições galegas", disse à agência Lusa a professora e investigadora de Ciência Política da Universidade de Santiago de Compostela Nieves Lagares.

Para quem vota no PP na Galiza, explicou, "as identidades partilhadas, galega e espanhola, nunca foram um problema nem objeto de conflito" e "a maioria dos galegos dizem sentir-se tão espanhóis como galegos e tão galegos como espanhóis".

O VOX é um partido centralista, que defende o fim das regiões autónomas em Espanha (que foram instituídas com a democracia após a morte, em 1975, do ditador Francisco Franco) e tem um discurso que choca, em diversas vertentes, com a afirmação das identidades regionais, como a defesa do castelhano como idioma único ou primordial no ensino em todo o país.

A Constituição espanhola, no artigo 2.º, "reconhece e garante o direito à autonomia das nacionalidades e regiões" que integram Espanha "e a solidariedade entre todas elas".

Galiza, Catalunha e País Basco, onde são reconhecidos três idiomas oficiais além do castelhano (galego, catalão e 'euskera') são consideradas três dessas "nacionalidades" da "Nação espanhola", cuja unidade é indissolúvel, segundo o mesmo artigo da Constituição.

Ao contrário da Catalunha e do País Basco, regiões governadas por partidos nacionalistas e independentistas, na Galiza é o PP que tem a hegemonia e venceu sempre as eleições autonómicas (sob a designação de Partido Popular ou, inicialmente, como Aliança Popular).

"O êxito do Partido Popular da Galiza reside na ideia de se identificar com os galegos, com a ideia de 'galeguidade', o que Fraga chamava o fator diferencial galego, sem pretender ser nem fazer o que faziam os partidos nacionalistas bascos e catalães", afirmou Nieves Lagares, referindo-se a Manuel Fraga, líder histórico do PP na Galiza, que presidiu à Xunta (o governo regional) entre 1990 e 2005.

A investigadora acrescentou que "o desenvolvimento de um PP galego", ao mesmo tempo que era o partido que "construiu, desde a Xunta", a própria administração autonómica na região, "converteu-o num partido hegemónico na Galiza, que não permitiu a consolidação de nenhuma força política de caráter nacionalista no espetro da direita".

O PP candidata à Xunta este ano Alfonso Rueda, que já preside ao governo regional desde maio de 2022, quando substituiu no cargo Alberto Núñez Feijóo, que passou a ser o líder nacional do partido.

Todas as sondagens dão a vitória ao PP no próximo domingo e quase todas dizem que o mais provável (apesar de perder terreno) é que mantenha a maioria absoluta (a maioria absoluta são, pelo menos, 38 deputados).

Estas eleições galegas são as primeiras desde as legislativas nacionais de julho de 2023, que Feijóo ganhou, mas sem conseguir chegar ao Governo, por causa de uma aliança de partidos de esquerda, nacionalistas e independentistas que manteve o socialista Pedro Sánchez no poder.

Feijóo, que nas autonómicas galegas conquistou quatro maiorias absolutas consecutivas, "precisa de encarar estas eleições como uma revalidação da sua liderança na direção nacional" do PP, defendeu Nieves Lagares.

"A perda do governo da Xunta deixaria a sua liderança numa situação delicada devido ao seu envolvimento na campanha galega e à imposição das suas abordagens políticas nacionais nos temas da campanha", acrescentou a investigadora, que sublinhou que nunca uma campanha do PP na Galiza, mas também do PSOE (socialistas), "foi tão nacionalizada", com temas como a amnistia dos independentistas catalães a serem colocados no debate, numa "hipernacionalização" dos discursos.

A Galiza, na fronteira com o Norte de Portugal, tinha em 2022 perto de 2,7 milhões de habitantes e o Produto Interno Bruto (PIB) 'per capita' alcançou os 23.499 euros no ano passado, inferior ao nacional (25.498 euros), segundo o Instituto Nacional de Estatística de Espanha (INE).

Em termos de população, a Galiza é a quinta região de Espanha (que tem 17 comunidades autónomas e uma população de cerca de 47,5 milhões e pessoas).

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