Álvaro Siza Vieira: 90 anos do mestre que revolucionou a arquitetura
Fábio Lopes
Reconhecido como um dos mais relevantes nomes da arquitetura mundial e o mais prestigiado arquiteto português, Álvaro Siza Vieira marcou gerações, tendo imortalizado o seu trabalho pelos quatro cantos do mundo. O mestre celebra, este domingo, 90 anos.
Retratado como uma referência, devido aos prémios que foi acumulando ao longo de uma recheada carreira de mais de meio século e à inspiração que desperta nos futuros arquitetos, afirmou-se como uma personalidade do Norte de corpo inteiro e projetou o nome do Porto e de Portugal além-fronteiras.
Nas palavras do próprio tornou-se “arquiteto em vez de escultor, para não contrariar o Pai”.
Natural de Matosinhos, onde nasceu a 25 de junho de 1933, Álvaro Joaquim de Melo Siza Vieira estudou, entre 1949 e 1955, Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes na Invicta, onde viria a ser, mais tarde, professor (entre 1966 e 1969), e novamente em 1976.
Sobejamente influenciado pelo seu professor Fernando Távora, comumente designado como o pai da arquitetura moderna, Siza estagiou no seu atelier no início da década de 1950 e iniciou a sua carreira profissional em 1954, antes de terminar a sua formação.
Com uma longa e reconhecida carreira, é o arquiteto mais premiado da era contemporânea, tendo recebido, em 1992, o prémio Pritzker, designado como o ‘Nobel da Arquitetura’, pelo projeto de renovação na zona do chiado, em Lisboa, seguido por Eduardo Souto de Moura que recebe o galardão em 2011.
Um nome simétrico à grandiosidade e genialidade daquilo que concebeu e fez até hoje e que influenciou, indelevelmente, a paisagem urbana de inúmeras cidades.
É pela inovação, harmonia e traços arrojados que põe em cada trabalho que sempre se destacou no panorama mundial, criando grandes marcos na história da arquitetura portuguesa e internacional e descobrindo um caminho único e identitário nas lides da conceção e da construção, com ímpar minúcia e rigor.
Esta fusão levou a obras cruciais no espólio imóvel nacional. Em Lisboa, projetou o Pavilhão de Portugal para a Expo 98, com a sua icónica pala de 65 metros de comprimento e, antes, foi o responsável pelo projeto de recuperação do Chiado, após o incêndio de 1988.
A Norte, são exemplos emblemáticos da sua assinatura a Casa de Chá da Boa Nova e a Piscina das Marés, em Leça da Palmeira, a Faculdade de Arquitetura do Porto, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, a Igreja de Marco de Canaveses, a Agência do Banco Pinto & Sotto Mayor, em Oliveira de Azeméis, a Casa Alves Costa caminha, entre vários outros.
Fora de portas, e a partir dos anos 80, Álvaro Siza Vieira desenvolveu na Europa, nas Américas do Norte e do Sul, e no Extremo Oriente obras de vulto, incluindo o edifício “Bonjour Tristesse” (1980-84), em Berlim, o centro cultural e o auditório (1998) da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, o Mimesis Museum, na Coreia do Sul, o China Design Museum, o Centro Galego de Arte Contemporânea e um arranha-céus em Nova Iorque, de 38 andares, que nas suas palavras afinal “não arranha muito”.
Criações que lhe valeram inúmeras distinções. Em 1988 recebe a Medalha Alvar Aalto e o Prémio Mies van der Rohe, em 1998 recebe o Prémio Príncipe de Gales da Universidade de Harvard, e em 2012 é premiado com o Leão de Ouro de Carreira na Bienal de Veneza, referido pelos júris como tendo “uma posição única na galáxia da arquitetura”.
Pensar o urbanismo, a organização das cidades, pedra sobre pedra, tijolo sobre tijolo é trabalho de mestre. Trabalho para Álvaro Siza Vieira que tornou o novo e o nunca imaginado no único caminho possível.
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