Rui Moreira diz ter dúvidas se nova ponte do Metro do Porto "é necessária"

| Porto
Porto Canal / Agências

O presidente da Câmara Municipal do Porto disse ter dúvidas se a construção da nova ponte do metro, entre Vila Nova de Gaia e o Porto, no âmbito do projeto da linha Rubi, “é necessária”.

“Não era ali que eu fazia a ponte, não fazia a ponte com aquela altura e tenho dúvidas se a ponte é necessária”, afirmou Rui Moreira, durante a sessão de segunda-feira à noite da Assembleia Municipal do Porto.

O autarca, que respondia às considerações feitas pelo eleito da CDU Rui Sá de que no Porto “se brinca às pontes”, disse novamente não concordar com a “localização, bitola ou altura” da nova ponte do metro entre Gaia e Porto, no âmbito do projeto da linha Rubi.

A construção da nova ponte sobre o rio Douro suscitou contestação por parte de moradores e da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto devido à inserção no Campo Alegre, alegando que lesava "questões de defesa da paisagem e salvaguarda patrimonial".

No tempo destinado à apreciação da atividade do município, o deputado da CDU criticou o executivo por “brincar às pontes”, referindo-se à solução que está a ser negociada entre Câmara do Porto, Câmara de Gaia e Infraestruturas de Portugal (IP) de, em vez de duas pontes sobre o rio Douro, uma rodoviária e outra ferroviária para a alta velocidade, possa ser construída apenas uma ponte com dois tabuleiros, conforme avançou na segunda-feira o Jornal de Notícias.

“Do ponto de vista do planeamento urbano ninguém se entende”, defendeu Rui Sá, criticando ainda o executivo por, nesta matéria, “gastar dinheiros públicos”.

“Quantos milhares de euros a câmara já gastou numa ponte que foi apresentada em 2018 e que estava toda estudada?”, questionou o deputado sobre acerca da ponte D. António Francisco dos Santos, cujos projetos de construção e conceção deverão ser entregues pelos sete candidatos em meados de outubro.

“Uma situação destas não se pode repetir. É preciso saber o que fazer do ponto de vista do planeamento urbano”, considerou.

Em resposta ao deputado, Rui Moreira recusou que no Porto “se brinque às pontes”, lembrando que, nesta matéria, o Estado é a “prerrogativa”.

Ao esclarecer que “se nada surgir em contrário”, a ponte D. António Francisco dos Santos “será, naturalmente, construída”, Rui Moreira reforçou que “nada está fechado”.

“O que nós não estamos é a brincar às pontes. Se o Estado nos propuser construir uma ponte em dois tabuleiros, eu acho que é bom negócio. Pelo menos não é mau. O que seria mau era ignorarmos uma obra do Estado e fazermos a ponte, e dizermos que a pontezinha é nossa”, acrescentou, lembrando que tanto o primeiro-ministro, António Costa, como o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, vão apresentar na quarta-feira o projeto da alta velocidade entre Porto e Lisboa.

No concurso de conceção e construção da ponte D. António Francisco dos Santos foram admitidos sete candidatos: a empresa Puentes y Calzadas Infraestructuras S.L.U.; o consórcio de Alexandre Barbosa Borges, S.A. e Construgomes Engenharia, S.A., o consórcio Mota-Engil, Engenharia e Construção, S.A. e Omatapalo - Engenharia e Construção, S.A., o consórcio Afavias - Engenharia e Construções, S.A., Casais - Engenharia e Construções, S.A. e Teixeira Duarte - Engenharia e Construções, S.A., o consórcio Ramalho Rosa Cobertar, Sociedade de Construções, S.A. e FCC Construcción, S.A., o consórcio Alberto Couto Alves, S.A., Alves Ribeiro, S.A. e Betar Consultores, Lda., e a empresa Conduril - Engenharia, S.A..

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