Ucrânia: Zelensky pede apoio de Portugal para aderir à UE e junto dos PALOP

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Porto Canal com Lusa

Lisboa, 21 abr 2022 (Lusa) - O Presidente da Ucrânia pediu insistentemente hoje o apoio de Portugal no processo para o seu país aderir à União Europeia e que use a sua influência nos países de língua portuguesa para estes estarem do lado dos ucranianos.

"A Ucrânia já está a caminho da União Europeia (...) Quando essa questão for colocada, peço-vos, peço-vos mais uma vez, que nos apoiem nesse caminho", insistiu Volodymyr Zelensky, que falava numa intervenção por videoconferência no parlamento português.

"Estamos o mais a leste e vocês o mais a oeste, mas ambos sabemos que os valores que defendemos são iguais", frisou o Presidente da Ucrânia, numa sessão solene com altas entidades do Estado e representantes da comunidade ucraniana nas galerias.

A posição, num primeiro momento, do Governo português quanto entrada ucraniana na União Europeia (UE) gerou algum incómodo, depois de o primeiro-ministro, António Costa, ter afirmado que essa adesão não era o que a Ucrânia precisava no momento, devido à morosidade e imprevisibilidade do processo.

Durante a cimeira do Conselho Europeu de 24 de março, Zelensky viria a avaliar individualmente cada uma das posturas dos 27 líderes europeus e, no que se refere à posição de Portugal, foi sintético, utilizando apenas três palavras: "Bem, está quase...".

No dia seguinte, a embaixadora ucraniana em Portugal, Inna Ohnivets, em entrevista à Rádio Renascença, reforçou as palavras do Presidente, afirmando que a Ucrânia estava à espera de "uma posição mais ativa do Governo português" sobre a matéria.

Hoje, ao dirigir-se aos deputados portugueses e altas individualidades convidadas, com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, António Costa, Zelensky agradeceu o apoio humanitário, o acolhimento de milhares de ucranianos que fogem da guerra, mas pediu mais apoio militar, diplomático e político.

Para defender "a independência, a segurança, a democracia" a Ucrânia conta com o apoio de Portugal, disse o Presidente da Ucrânia, que declarou ainda esperar que as autoridades portuguesas possam transmitir essa mensagem a outros povos, referindo especificamente os países africanos lusófonos.

"Peço que lutem contra a propaganda russa usando a influência nesses países que são próximos de Portugal", insistiu.

Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde abstiveram-se na votação na Assembleia-Geral das Nações Unidas, a 07 de abril, de uma resolução que aprovou por 93 votos a favor a suspensão a Rússia do Conselho de Direitos Humanos, devido a alegados crimes de guerra e crimes contra humanidade na Ucrânia.

Dos países lusófonos, apenas Portugal e Timor-Leste votaram a favor e os votos de São Tomé e Príncipe e da Guiné Equatorial não foram registados na Assembleia-Geral. A resolução, apresentada pelos Estados Unidos da América (EUA) e apoiada pela Ucrânia e outros aliados, obteve 93 votos a favor, 24 contra e 58 abstenções entre os 193 Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU).

Hoje na Assembleia da República, e tal como fez em Espanha, onde se referiu ao bombardeamento de Guernica, ou em França, abordando a batalha de Verdun, o chefe de Estado ucraniano também recorreu a um momento histórico de Portugal para melhor mostrar a luta da Ucrânia.

"O vosso povo, que vai celebrar dentro de dias o aniversário da resolução dos cravos, percebe", disse Zelensky, referindo-se às comemorações do 25 de Abril.

"Sabem o que estamos a sentir", declarou, reafirmando que os ucranianos lutam porque "querem a liberdade", porque "querem escolher o seu futuro".

O chefe de Estado ucraniano discursou na Assembleia da República depois de já se ter dirigido aos deputados de vários países tais como o Japão, os Estados Unidos, o Reino Unido, a França ou a Austrália.

Esta foi a primeira vez que um chefe de Estado estrangeiro discursou na Assembleia da República por videoconferência.

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