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Covid-19: É normal a opção por dívida alemã em vez de portuguesa

| País
Porto Canal com Lusa

Redação, 17 mar 2020 (Lusa) -- Dois analistas ouvidos pela Lusa consideram um comportamento normal a opção, por parte dos investidores no mercado de dívida, por títulos alemães em vez de portugueses, num clima de aumento dos juros face ao surto de Covid-19.

"É natural que um investidor que tenha numa mão 'papel' da Alemanha e títulos portugueses ou italianos na outra se sinta mais confortável nos da Alemanha do que nos de Portugal ou de Itália", disse à Lusa Filipe Garcia, analista da IMF -- Informação de Mercados Financeiros.

Já Pedro Amorim, da corretora Infinox, afirmou que os depósitos a prazo que estão a ser usados como meio de investimento "vão ter referência as dívidas soberanas gigantes, a alemã, a austríaca, de Singapura, dos Estados Unidos", porque são "sem risco".

"Uma vez que estamos numa altura tremenda de turbulência de risco, um aumento do receio, os índices de volatilidade estão em máximos, as pessoas estão a refugiar-se em coisas sem risco", segundo Pedro Amorim, o que justifica a opção pela 'fuga' às dívidas de países periféricos, como Portugal.

Filipe Garcia sustentou que o risco está associado "à posição de dívida inicial de cada país", e que "um país menos endividado apresenta sempre menos risco do que um endividado".

"É natural que haja alguma pressão sobre os países que têm um nível de dívida mais alto, ainda mais sabendo que nestes três países [Portugal, Itália e Grécia] a situação já é complicada, ou ainda se vai degradar", disse o analista da IMF.

No entanto, Filipe Garcia lembrou que "os juros da dívida da Alemanha também estão a subir", mas que o 'spread' (margem de lucro dos bancos) de Portugal face à Alemanha estava, "entre dezembro, janeiro e fevereiro, entre 60 e 70 pontos, e agora está a 170 pontos", alargando um ponto percentual.

"O sinal é preocupante, isso não há dúvida, porque tem havido um alargamento de 'spreads' quase diário, e parece-me que o mercado precisa de alguma confiança de que as coisas vão correr bem por esta via", sustentou.

No entanto, quando questionado sobre se o movimento semelhante ao do registado na crise das dívidas soberanas, Filipe Garcia cenarizou que não será uma crise idêntica, "porque a forma como se olha para os países nesta altura, e para estes desvios orçamentais, é naturalmente diferente.

"Ninguém vai falar de despesismo, ninguém vai falar de falta de rigor. As pessoas vão ter de falar todas de um problema a que se tem de acudir, seja do ponto de vista da saúde pública seja do ponto de vista da economia", justificou.

Pedro Amorim salientou, porém, que as economias do sul da Europa têm "uma economia baseada no consumo", e que com as pessoas em casa coloca-se em questão "todo o desempenho económico".

"Se nós metemos todo o desempenho económico em questão, principalmente a maior fonte de receita do Estado, que são os impostos,  [os Estados] não estão a ter a receita como tinham com um bom desempenho e põem em questão as contas do orçamento", prosseguiu.

Assim, como "todo o mercado mete isso em questão, começam a aumenta os prémios de risco para esses países, e Portugal é um deles", do ponto de vista de segurança dos investimentos na dívida.

Já sobre a ida de Portugal aos mercados, que acontece hoje para uma emissão de até 1.500 de dívida de curto prazo, ambos os analistas consideraram normal.

"Portugal e os outros países têm necessariamente que se financiar, porque têm os seus compromissos", considerou Pedro Amorim, lembrando que o país tem "uma dívida tão elevada que tem de emitir dívida nova para pagar a dívida anterior que expirou".

Já Filipe Garcia afirmou que "é preciso ter a noção de que o mercado também oscila" e que "mau era Portugal ir [hoje] ao leilão e correr mal".

"Os juros a 10 anos de Portugal estão em 1,25%. É verdade que é o mais alto desde maio do ano passado, mas ainda são umas taxas baixas. Não estamos a falar de uma taxa de juro muito alta", considerou.

Os juros da dívida portuguesa têm estado a subir desde o início da epidemia de Covid-19, o que faz com que o Estado tenha de pagar mais para se financiar.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 189 mil pessoas, das quais mais de 7.800 morreram.

Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 81 mil recuperaram da doença.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 146 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje número de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.

JE // JNM

Lusa/Fim

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