40 anos/Angola: A companhia dos tanques da guerra abandonados

| Mundo
Porto Canal com Lusa

Luanda, 23 out (Lusa) - A guerra civil em Angola terminou há mais de 13 anos, mas ainda permanecem por todo o país recordações do conflito, como tanques e outros blindados, abandonados, que servem para divertimento das crianças e até dão nome a bairros.

Cem quilómetros para o interior de Luanda, no Cuanza Norte, três crianças com menos de cinco anos brincam num carro de combate abandonado, praticamente transformado num parque de diversões infantil.

Mexem nas peças, penduram-se no canhão ou saltam das lagartas como se de um baloiço se tratasse.

Durante a guerra civil de quase três décadas que se seguiu à independência, opondo forças do Governo, liderado pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), e da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), este tanque, como dezenas de outros, ficou para trás.

António Miguel tem hoje 22 anos e habituou-se a viver com o tanque junto à casa, o mesmo onde brincava em criança -- e onde ainda hoje se diverte à falta de outras distrações - com os amigos.

"Mexia nas teclas", conta à Lusa, ainda envergonhado, mas sem receios da presença do tanque, que descreve como "divertido", mas desconhecendo o seu real estado de armamento.

O bairro de António, com poucas dezenas de casas construídas artesanalmente com adobe, madeira, plásticos e chapas metálicas, foi crescendo ao longo dos anos em torno do tanque e dele recebeu o nome.

Ao longo dos cerca de mil quilómetros da estrada que liga Luanda à Lunda sul, no interior, palco de intensos combates e emboscadas durante a guerra civil, até 2002, multiplicam-se os blindados abandonados, entregues à destruição natural do tempo.

Alberto Domingos, de 63 anos, trabalhou no Caminho de Ferro de Luanda e com o fim da guerra instalou-se no bairro do tanque. Deixou a capital há nove anos e agora cultiva mandioca para a subsistência dos seis filhos e da mulher num bairro que não tem eletricidade ou água, mas que está "defendido" por um blindado.

Quando chegou o tanque já lá estava e por ali permaneceu até hoje, sem criar qualquer incómodo, sendo mesmo uma companhia para os moradores.

"Uma vez já o vinham buscar, mas não conseguiram puxar e ficou sempre aqui. Ficamos assim", remata Alberto, enquanto aponta para o tanque como uma peça de mobília esquecida.

Os 27 anos de guerra civil em Angola (1975 a 2012) provocaram mais de 500 mil mortos e para cima de um milhão de deslocados, arrasando casas, caminhos-de-ferro, estradas e pontes, além de arruinar empreendimentos económicos, instituições religiosas e a administração pública.

PVJ// PJA

Lusa/Fim

+ notícias: Mundo

Ex-membro da máfia de Nova Iorque escreve livro dirigido a empresários

Lisboa, 06 mai (Lusa) -- Louis Ferrante, ex-membro do clã Gambino de Nova Iorque, disse à Lusa que o sistema bancário é violento e que escreveu um livro para "aconselhar" os empresários a "aprenderem com a máfia" a fazerem negócios mais eficazes.

Secretário-geral das Nações Unidas visita Moçambique de 20 a 22 de maio

Maputo, 06 mai (Lusa) - O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, vai visitar Moçambique de 20 a 22 de maio, a primeira ao país desde que assumiu o cargo, em 2007, anunciou o representante do PNUD em Moçambique, Matthias Naab.

Síria: Irão desmente presença de armas iranianas em locais visados por Israel

Teerão, 06 mai (Lusa) - Um general iraniano desmentiu hoje a presença de armas iranianas nos locais visados por Israel na Síria, e o ministro da Defesa ameaçou Israel com "acontecimentos graves", sem precisar quais, noticiou o "site" dos Guardas da Revolução.