Conselho de Segurança da ONU procura "clarificar" uso de armas químicas
Porto Canal
Os membros do Conselho de Segurança da ONU, reunidos desde quarta-feira em Nova Iorque, querem "clarificar" as acusações da oposição síria de que as tropas governamentais usaram armas químicas num ataque perto de Damasco, afirmou o presidente do órgão.
"Tem de haver clareza sobre o que aconteceu e a situação tem de ser seguida com cuidado", disse Maria Cristina Perceval, a representante argentina e atual presidente em funções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
As declarações foram feitas depois de o conselho ter reunido à porta fechada, tendo acrescentado que os membros "elogiaram a determinação do secretário-geral para assegurar uma investigação completa e imparcial".
O Conselho de Segurança das Nações Unidas mantinha-se reunido na sexta-feira à noite em Nova Iorque (madrugada de hoje em Portugal) depois de a oposição síria ter acusado as forças do regime de Bashar al-Assad de terem usado armas químicas num ataque perto de Damasco, que, segundo a oposição síria, matou pelo menos 1300 pessoas.
As autoridades sírias desmentiram o recurso a armas químicas nos bombardeamentos.
De acordo com o Governo sírio, estas acusações são "uma tentativa para impedir a comissão de inquérito das Nações Unidas sobre armas químicas de realizar bem a missão".
Os investigadores da ONU chegaram à Síria há vários dias para averiguar sobre a utilização de armas químicas na guerra civil no país.
O chefe da equipa de inspetores da ONU que está na Síria, Ake Sellstrom, está em conversações com as autoridades sobre informações relativas ao ataque com armas químicas.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, está "escandalizado" com as alegações e "reafirma a sua determinação em conduzir uma investigação aprofundada sobre os alegados incidentes transmitidos por Estados-membros", afirmou o porta-voz adjunto Eduardo del Buey.
A ONU sempre reclamou livre acesso a todos os locais onde foram relatados ataques com armas químicas pelo poder, pela oposição ou por países membros do Conselho de Segurança, como a França e o Reino Unido, mas teve de negociar duramente para chegar a acordo quanto ao envio de uma missão de inspeção, adiada por várias vezes.
