Teatro Constantino Nery inicia 2026 com seis estreias nacionais e regresso às produções próprias
Porto Canal/Agências
O Teatro Constantino Nery, em Matosinhos, arranca 2026 com oito coproduções, seis em estreia nacional, num investimento de 700 mil euros que inclui Três Tristes Tigres e A Garota Não e assinala o regresso do cinema e produções próprias.
Apresentada esta terça-feira, a nova temporada – que se estende até julho - inclui ainda nomes como Luca Argel ou Sérgio Godinho, além de criações do Teatro Experimental do Porto, Zia Soares e Teatro Nacional D. Maria II.
Uma das principais novidades avançadas esta terça-feira é a estreia, em novembro, de uma produção original concebida pelo diretor artístico do teatro, José Nunes, em colaboração com o músico e compositor Luca Argel. O espetáculo inspira-se na “Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht, e na “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque, e propõe um diálogo entre teatro e música, tendo como pano de fundo a temática da emigração.
Já entre janeiro e julho, o teatro apresenta oito coproduções, seis em estreia nacional.
“São mais de 50 atividades e mais de 100 sessões que atravessam o teatro, a música, o cinema e a programação para famílias”, referiu José Nunes, destacando que a nova temporada está estruturada em torno de três ideias: “regressos, despedidas e encontros”.
Entre os destaques estão os concertos de Três Tristes Tigres (31 de janeiro), Luca Argel (7 de fevereiro) - que apresentará o novo álbum “O Homem Triste”, “um trabalho que desconstrói a masculinidade - A Garota Não (7 de março) e Paus (21 de março), no âmbito da última digressão da banda.
Destaque ainda para as seis estreias nacionais, que incluem “As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant?”, de Teresa Arcanjo – um projeto constituído só por mulheres, numa revisitação atual da obra clássica de Fassbinder – “As Telefones”, encenada por Zia Soares, “Uma Casa na Escuridão”, do Teatro de Marionetas do Porto, e a nova criação do Teatro Experimental do Porto, “Nick, Nick, NIck, NicK e Nick”.
O regresso ao cinema é outra das apostas do Nery em 2026, com um ciclo de filmes e conversas entre 22 e 24 de abril, cujo programa será posteriormente anunciado.
“O cinema faz parte da história centenária deste edifício, muitos matosinhenses têm ainda essa memória afetiva desta sala enquanto espaço de exibição cinematográfica também. E era um desejo muito antigo que finalmente irá acontecer aqui na véspera de 25 de abril”, detalhou aquele responsável.
A 30 de janeiro, Sérgio Godinho participa uma sessão especial do ciclo de conversas “A Paz, o Pão, Habitação, Saúde, Educação”.
Em junho, no âmbito das comemorações dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões, o Teatro Nacional D. Maria II leva a cena “Filodemo”, com encenação de Pedro Penim que revisita uma das poucas peças do poeta.
“Um momento alto também desta temporada, que é acolhermos pela primeira vez uma produção do Teatro Nacional Dona Maria II, o ‘Filodemo’, que é uma das raras incursões de Luís Vaz de Camões no teatro”, sublinhou.
A programação inclui ainda propostas para famílias, como “Ocelo”, “Mais Alto”, “Atenção: a sua receita será transmitida!” e “Lenda de Miragaya... um teatro de fingir”, além de atividades de mediação, formação e projetos com associações locais.
Um investimento de cerca de 700 mil euros em programação, que segundo o vereador da Cultura da Câmara de Matosinhos, Fernando Rocha, “reflete a aposta determinada do município na cultura como parte essencial da qualidade de vida dos cidadãos”. “
Segundo o autarca, na última temporada – entre em setembro e dezembro de 2025 - o teatro recebeu 97 sessões e mais de 7.200 espectadores, números que considera “um sinal claro da vitalidade” do espaço.
