Comissão Vitivinícola de Trás-os-Montes quer aumentar volume de certificação
Porto Canal/Agências
A Comissão Vitivinícola Regional (CVR) de Trás-os-Montes pretende aumentar o volume de certificação dos vinhos e promover a identidade da região, objetivos que passam pela congregação de esforços com as entidades nacionais que representam o setor.
“Somos uma região pequena a nível de dimensão de certificação, temos uma área geográfica muito vasta, mas certificamos uma quantidade ainda reduzida de vinho, que queremos que aumente, porque faz todo o sentido. Temos condições inerentes à própria região para aumentar esse volume de certificação, mas a realidade da nossa região é muito em tentar certificar, garantir a qualidade, promover aquilo que é a identidade da região e os produtos diferenciadores que aqui conseguimos obter”, afiançou Ana Alves, presidente da direção da CVR de Trás-os-Montes, em Valpaços, após reunir com os presidentes do Instituto do Vinho e da Vinha (IVV) e da Viniportugal.
A Comissão Vitivinícola promoveu esta terça-feira uma visita a produtores locais e deu a conhecer as necessidades que atravessa enquanto entidade certificadora e promotora dos vinhos da região transmontana.
“Debatemo-nos com aquilo que são as dificuldades de uma região que tem a noção que tem produtos diferenciadores, com uma qualidade acima da média, com produtores pequenos que muito fazem para conseguir ter vinhos de qualidade, que conseguem efetivamente produzir, mas uma dessas dificuldades é mesmo uma questão de dimensão, porque nós sabemos que conseguimos produzir vinhos de qualidade, mas temos de os promover”, reiterou Ana Alves.
Para tal, a CVR de Trás-os-Montes tem contado com o apoio do IVV e da Viniportugal, tendo procurado, agora, ‘in loco’, dar a conhecer a realidade da região para “ajustar” o apoio destas entidades ao setor.
Para Francisco Toscano Rico, presidente do IVV, existe na região “qualidade e, sobretudo, muita identidade”, a par de “um acreditar coletivo”, denotando ambição no objetivo comum “de levar a certificação, a marca Trás-os-Montes mais além”, o que passa por “congregar ideias e esforços”.
“Acreditamos que uma região que, em termos de certificação, em termos de volume, pode não ser das mais importantes, mas em termos de posicionamento, vemos muita qualidade, muita identidade. O papel que a viticultura e a produção de vinho têm naquilo que é a coesão territorial, naquilo que pode ser também o enoturismo, tem um potencial enorme”, destacou o responsável.
Francisco Toscano Rico acredita que o trabalho em prol da notoriedade e visibilidade da região pode ser feito através “da Viniportugal, de incentivos do próprio Ministério da Agricultura, do IVV, da CCDR-N, das Câmaras Municipais”, a par do turismo e da restauração.
Ao mesmo tempo, o mercado da exportação não pode ser desprezado, sendo necessário perceber, “coletivamente, de que forma é que Trás-os-Montes pode colaborar e integrar uma estratégica nacional dos vinhos de Portugal”.
Também Frederico Falcão, presidente da Viniportugal, destacou “o potencial incrível” de Trás-os-Montes em termos de exportação, sublinhando a necessidade de um trabalho conjunto, aquém e além-fronteiras, através da promoção dos produtores locais.
“Trás-os-Montes tem uma qualidade enorme e, num mundo altamente competitivo em que tudo é muito igual, tem vinhos diferentes. É uma região completamente desconhecida lá fora e muitos compradores procuram precisamente disto, vinhos únicos, diferentes, com identidade própria”, destacou.
A CVR de Trás-os-Montes abrange 22 concelhos e tem 110 agentes económicos inscritos e a certificar, número que inclui quatro adegas cooperativas e produtores individuais, num universo de, aproximadamente, 3.000 viticultores.
