BE de Viana do Castelo alerta para retrocesso devido a festival sem apoio
Porto Canal/Agências
O BE de Viana do Castelo afirmou esta segunda-feira que a “possível interrupção” do MDOC - Festival Internacional de Documentário de Melgaço “representa um retrocesso grave e inaceitável”.
“O BE condena firmemente a decisão do executivo autárquico do PSD e denuncia este ataque à cultura enquanto motor de transformação social, coesão territorial e desenvolvimento. Esta opção política revela uma direita incapaz de reconhecer o valor da cultura do povo e o seu papel na construção de comunidades vivas e sustentáveis”, dizem os bloquistas, em comunicado.
A organização revelou esta segunda-feira que o festival não vai ter continuidade em 2026 devido à falta de apoio da autarquia, que apoiava o evento com cerca de 140 mil euros e o presidente da Câmara de Melgaço justificou a opção com a situação financeira “catastrófica” que encontrou na autarquia que passou a liderar após as eleições autárquicas de outubro.
O BE solidarizou-se, entretanto, “com a equipa organizadora do MDOC bem como com a população de Melgaço”, comprometendo-se a reunir com a associação AO NORTE “para avaliar todas as formas possíveis de apoiar esta luta pela cultura e pela dignidade do interior”, porque “a cultura não é um luxo: é um direito e uma necessidade”.
O partido considera que a decisão do executivo “não é apenas um ataque à cultura” mas “um ataque direto à população de Melgaço e à sustentabilidade do concelho”, que “enfrenta há décadas um problema estrutural de despovoamento”.
“Segundo dados do INE, em 2023, o concelho contava com 7.599 habitantes. As projeções apontam que, nos próximos 20 anos, este concelho terá uma redução de cerca de 4.556 habitantes, passando para aproximadamente 3.043 habitantes em 2043. Perante este cenário alarmante, seria expectável que o executivo municipal apostasse em todas as ferramentas capazes de atrair pessoas, dinamizar a economia local e reforçar o sentimento de pertença”, observam.
Carlos Viana, da associação AO NORTE, disse esta segunda-feira à Lusa que “todas as possibilidades” estão a ser analisadas relativamente ao futuro do festival que se realizava em Melgaço, admitindo estar em causa um “possível fim” do evento que conta com onze edições.
“Não há, por parte de outras instituições públicas, nenhum apoio. Consideramos que outras entidades, como a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, tinham também a obrigação de apoiar iniciativas destas, que ajudam a transformar o território e a democratizar a cultura”, afirmou.
