Montenegro recusa que redução do desconto do ISP se traduza em aumento do preço dos combustíveis

Montenegro recusa que redução do desconto do ISP se traduza em aumento do preço dos combustíveis
| Economia
Porto Canal/Agências

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, recusou esta sexta-feira que a redução do desconto no Imposto Sobre Produtos Petrolíferos (ISP) vá traduzir-se numa subida do preço dos combustíveis para os consumidores.

“Nós não provocámos nenhuma subida do preço final do consumidor. Estamos a corrigir um desconto que tinha que ser corrigido, sem impacto no preço final ao consumidor”, afirmou o chefe de Governo numa resposta ao líder do Chega durante o debate quinzenal na Assembleia da República.

Luís Montenegro referiu que o Governo decidiu, “perante uma descida muito significativa do preço da gasolina e do gasóleo, aproveitar, não refletindo isso no preço final, para recuperar um desconto que estava em vigor”.

O primeiro-ministro afirmou que a gasolina e o gasóleo estão agora cerca de 20 cêntimos mais baratos por litro do que estavam em 1 de março de 2022.

Na sua intervenção, o presidente do Chega referiu que o Governo alegou que o aumento da receita com ISP previsto no Orçamento do Estado para 2026 se devia a “uma estimativa de que os portugueses vão ter mais dinheiro e, por isso, vão gastar mais combustível nos carros”.

“Na semana em que as contas apontavam para uma descida rara de dever nos preços da gasolina, o Governo deu o primeiro passo para acabar com o desconto no ISP”, com a “reversão parcial das medidas adotadas há três anos”, criticou André Ventura.

O deputado do Chega assinalou que durante a discussão do Orçamento do Estado avisou que o Governo estava a “enganar” os portugueses.

“Nós dissemos na altura que nos estavam a enganar e que isso não era verdade, era porque iam acabar com o desconto que permitia que as pessoas pagassem menos dos combustíveis. Hoje sabemos a verdade, a verdade é que o Governo quis, aceitou e tolerou que aumentasse a pressão sobre os combustíveis”, defendeu, antecipando que “os portugueses vão pagar mais” para encher os depósitos.

No debate quinzenal, Ventura acusou ainda o Governo de querer aumentar as propinas para os estudantes do ensino superior, e defendeu que “há motivos para um descontentamento geral, e o descontentamento geral é o mal que estão a fazer aos jovens”.

“Um aumento de propinas é errado no país em que estamos e dá um sinal errado aos nossos jovens, dá o sinal errado que não os queremos cá, que os queremos fora, que não os queremos valorizar. Mas é isso que os senhores querem, penalizar ainda mais os jovens. Nós queremos fazer o contrário, nós queremos um governo para os jovens, para garantir que os jovens ficam em Portugal”, sustentou.

Neste ponto, o primeiro-ministro retorquiu que “não compreender que atualizar as propinas em 13 euros por ano, para reforçar a ação social daqueles que mais precisam, é uma medida de justiça, é não compreender nada”.

Através de uma portaria publicada em Diário da República em 28 de novembro, o Governo PSD/CDS-PP reduziu o desconto em vigor no ISP aplicável à gasolina sem chumbo e ao gasóleo rodoviário, anulando parte da descida do preço dos combustíveis.

De acordo com essa portaria, que entrou em vigor em 1 de dezembro, a taxa do ISP aplicável, no continente, à gasolina com teor de chumbo igual ou inferior a 0,013 gramas por litro passou de 481,26 euros para 497,52 euros por 1.000 litros, enquanto a taxa do ISP aplicável ao gasóleo subiu de 337,21 euros para 361,60 euros por 1.000 litros.

Segundo as estimativas do Automóvel Club de Portugal (ACP), estes montantes representam um aumento efetivo do imposto por litro de cerca de 1,6 cêntimos para a gasolina e de mais de dois cêntimos para o gasóleo. (PD)

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