ENTREVISTA. Câmara Luso-Francesa considera saída de jovens qualificados é desafio estrutural para Portugal
Porto Canal/Agências
O presidente da Câmara de Comércio e Indústria (CCILF), Fabrice Lachize, considera que a saída de jovens qualificados representa um dos maiores desafios estruturais da economia portuguesa.
“Não há falta de mão-de-obra em Portugal, o problema é deixarmos sair demasiada gente. Todos os anos partem cerca de 60 mil jovens muito bem formados, profissionais e com conhecimento”, disse em entrevista à Lusa.
Fabrice Lachize defende que reter talento deve ser uma prioridade nacional para sustentar o crescimento. “Seria essencial reter a juventude para permitir a Portugal um desenvolvimento maior”, alertou.
O dirigente critica também a dificuldade de atrair mão-de-obra extracomunitária, sublinhando obstáculos administrativos. “Quando não são cidadãos do espaço Schengen trazer trabalhadores pode ser complicado”, afirmou, apontando que esta barreira pode agravar a escassez de perfis especializados.
Apesar destes desafios, Fabrice Lachize considera que Portugal continua a oferecer condições atrativas para investidores franceses, nomeadamente em exportações, serviços e indústria. Contudo, reconhece limitações, como a “falta de espaço e de capacidade para receber grandes negócios em certas zonas".
"Portugal está muito cheio em algumas áreas e isso condiciona investimentos de grande dimensão”, referiu, dando como exemplo o setor do turismo. “Portugal já está saturado em [número de] hotéis”, comentou.
No entanto, o responsável sublinha que, na sua visão, “os investimentos não são o principal ponto que se deve olhar nas relações entre os dois países”, mas sim “o comércio e a transversalidade das parcerias que estão feitas e desenvolvidas”.
O responsável afirma que a França, atualmente o quarto maior investidor em Portugal, tem como objetivo voltar ao segundo lugar. “Queremos recuperar esse papel. A Câmara está empenhada em apoiar Portugal para atrair investidores franceses e reforçar a economia portuguesa”, afirmou.
De acordo com os dados do Banco de Portugal, no segundo trimestre do ano o investimento direto de França em Portugal totalizou 15,3 mil milhões de euros, uma queda face aos 15,7 mil milhões de euros alcançados no primeiro trimestre deste ano e aos 15m mil milhões registados no mesmo período do ano passado.
Fabrice Lachize acrescenta ainda que a CCILF pretende também promover investimento português em França, destacando casos como o da Renova, que investiu numa unidade fabril em Vichy. “É raro ver investimentos portugueses de grande dimensão em França, e foi um orgulho. A Renova é um sucesso impressionante”, afirmou.
