Ciclo de Braga’25 questiona “o que fazemos” com o colonialismo

Ciclo de Braga’25 questiona “o que fazemos” com o colonialismo
Foto: Braga’25
| Norte
Porto Canal/Agências

O ciclo “O que fazemos com isto”, inserido na programação da Braga'25 - Capital Portuguesa da Cultura, debruça-se quinta e sexta-feira sobre as questões coloniais, com residentes naquela cidade, entre apresentações artísticas e debates.

“A pergunta ‘o que fazemos com isto’ é a sensação que muitas vezes se tem quando se aborda estas questões, uma certa dificuldade em desconstruir e tentar entender que não há apenas uma narrativa, uma visão, uma perspetiva quanto a essas realidades”, explicou à Lusa o diretor artístico do ciclo, Hugo Cruz.

Entre as propostas que decorrem quinta e sexta-feira no gnration nota para um espetáculo, o lançamento de um livro, uma instalação, uma visita guiada e rodas de conhecimento, tudo com entrada gratuita.

Apesar de ter a “face visível” nestes dois dias, o projeto arrancou já há mais de um ano, com uma chamada a jovens de Braga, “pelo legado que pode deixar”.

“É um projeto que tenta, realmente, efetivamente, genuinamente, perguntarmo-nos uns aos outros, a partir de diferentes histórias, diferentes percursos, lugares nesta História, o que podemos realmente fazer com isto, no sentido de acabarmos com situações de desigualdade, muito relacionadas muitas vezes com fenómenos de racismo que estamos a ter profundamente ativados no mundo de hoje”, explica Hugo Cruz.

Segundo o diretor da iniciativa, a primeira fase foi dedicada ao “pensamento crítico”, com investigadores, artistas e ativistas em contacto com o grupo, avançando-se depois “para um trabalho de criação artística”.

É de uma oficina de escrita com Ondjaki que nasce o livro “Tudo isto é futuro”, com 10 contos originais da autoria dos jovens do grupo, no caso António Zaqueu, Brenda Souza, Chisoka Simões, Bruna de Castro, Fatimata Bá, Luege D’Olim, Luiza Lins, Sarina Azevedo e Vânia Alves.

Os textos surgem “a partir das histórias de cada um destes jovens, as suas famílias, dos seus países”: Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

O livro é apresentado pelas 18h00 de sexta-feira, dia que concentra todas as atividades à exceção de uma, uma visita guiada com o título “Desbravar impérios: passeio pelas malhas coloniais em Braga”, por Chisoka Simões, marcada para quinta-feira às 16h00.

Um dos ilustradores do livro, Diogo Gazella Carvalho, acompanhou o processo e apresenta também a vídeo-instalação “Neo-Drapetomania”, inaugurada pelas 19h30 de sexta-feira.

Nesse dia, cujo programa abre pelas 10h00, Claudino Ferreira, Elísio Macamo, Mariana Pinto dos Santos e Víctor Barros discutem, de manhã, sobre “outras histórias, outros futuros. Memórias coloniais e desafios decoloniais”.

De tarde, os criadores e convidados do projeto juntam-se a Melissa Rodrigues para questionar não só “O que estamos a fazer com isto” como também “o que, ainda, falta fazer”, entre as 14h30 e as 16h30.

À noite, pelas 21h30, tem lugar “Peça-Con(ser)to”, com direção artística de Joãozinho da Costa, Landa e Susana Madeira, uma performance que integra alguns dos jovens que escreveram contos e que surge precisamente dessas histórias.

Quanto ao futuro, “o próprio grupo terá de decidir o que vai fazer a seguir”, diz Hugo Cruz, salientando que estes jovens são já “vozes ativas na cidade para, no quotidiano, continuarem a fazer o que falta fazer”.

Todas as atividades são de acesso gratuito, tendo a organização pretendido uma participação diversa, da comunidade em geral a “determinadas associações e movimentos com maior interesse no tema”.

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