Especialistas apresentam em Guimarães práticas sustentáveis para municípios
Porto Canal/Agências
Especialistas do Pacto Climático Europeu e da associação Zero participam na terça-feira numa ação de formação sobre projetos sustentáveis implementados localmente para melhorar a qualidade de vida e reduzir a pegada de carbono.
A iniciativa realiza-se no âmbito da eleição de Guimarães para Capital Verde Europeia de 2026, e pretende mobilizar eleitos e técnicos das comunidades intermunicipais do Ave, Área Metropolitana do Porto, Alto Minho, Cávado e Tâmega e Sousa tendo em vista “a adoção de boas práticas e projetos sustentáveis nas áreas da mobilidade, da energia e da alimentação”, explica a organização em comunicado.
“É necessário reforçar o poder de decisão dos municípios na adoção de políticas mais sustentáveis, fomentando o trabalho interdepartamental e valorizando o conhecimento de quem melhor conhece o território. Só assim será possível acelerar a ação climática local e contribuir para a meta nacional de neutralidade carbónica até 2050”, afirma a investigadora na área de mobilidade urbana na Universidade do Porto e embaixadora do Pacto Climático Europeu, Juliana Carvalho.
De acordo com a responsável, a formação “prevê identificar as principais necessidades e dificuldades locais junto dos representantes municipais e, a partir disto, desenvolver um projeto-piloto tendo por base casos de sucesso anteriores”.
“O foco será explorar potenciais sinergias entre mobilidade, alimentação e energia”, observou.
Juliana Carvalho pretende também “partilhar boas práticas que promovam infraestruturas verdes e modos de transporte sustentável em meios urbanos”, como a “criação de mais espaços públicos dedicados à mobilidade ativa" ou a "integração da bicicleta no sistema de transportes”.
“Este caminho requer, por exemplo, a construção de redes de ciclovias interligadas, que liguem as zonas residenciais aos locais de trabalho e escolas, a criação de parques de bicicletas cobertos e seguros, conectados à rede de transportes públicos”, descreveu.
Cecília Delgado, outra embaixadora do Pacto Climático Europeu, vai apresentar boas práticas sobre como “integrar a alimentação e o clima no planeamento territorial”.
“Existe uma perceção generalizada de que a crise climática e a falta de uma estratégia local de mitigação que inclua a alimentação não estão relacionadas”, assinala, defendendo que “a alimentação, o clima e o território são vértices de um triângulo que tem de ser ativado”.
Tal não será possível “sem a criação de planos municipais que incluam uma estratégia consistente de adaptação à crise climática e medidas no âmbito dos sistemas alimentares considerando o planeamento territorial”, sustentou.
A embaixadora vai também apresentar 12 medidas para um plano de ação e discutir com os participantes quais as medidas prioritárias para as freguesias e municípios.
Vão também ser promovidas medidas para uma transição energética e Rita Prates, da associação ambientalista Zero, defende a criação de comunidades de energia como “uma das soluções para garantir o acesso a energia renovável e mais económica”.
“Por outro lado, o combate à pobreza energética é fundamental, e os municípios podem ter um papel determinante ao apoiar projetos de renovação do parque edificado, comunicar com as populações e facilitar o acesso aos apoios existentes”, explicou.
A Câmara de Guimarães apresentou o Pacto Climático de Guimarães, focado em alcançar a neutralidade climática até 2030, e foi selecionado para integrar a iniciativa Missão Cidades, um projeto da União Europeia que se destina a apoiar 100 cidades na transição para a neutralidade climática.
O Pacto Climático Europeu é uma iniciativa central do European Green Deal promovido pela União Europeia e coordenado em Portugal pela Zero, tendo como objetivo mobilizar as comunidades para investimentos, atividades e processos progressivamente menos dependentes dos combustíveis fósseis e da emissão de outros gases com efeito de estufa.
