Grupo Celeste pede insolvência e deixa mais de 300 trabalhadores no desemprego

Grupo Celeste pede insolvência e deixa mais de 300 trabalhadores no desemprego
Foto: Grupo Celeste
| Norte
Porto Canal/Agências

O Grupo Celeste, que operava no setor da panificação e pastelaria, com fábricas em Guimarães e em Vizela, e lojas no Minho e Douro Litoral, pediu a insolvência, deixando mais de 300 trabalhadores no desemprego, indicou esta quarta-feira fonte sindical.

“A situação deixou mais de 300 trabalhadores subitamente sem emprego, sendo que a grande maioria reside e trabalhava nos concelhos de Guimarães e de Vizela, onde se localizam as duas unidades industriais do grupo. Trata-se de uma realidade que levanta sérias preocupações sociais, uma vez que várias destas famílias enfrentam já situações de vulnerabilidade económica, resultantes da perda abrupta de rendimentos”, refere o SINTAB, em comunicado.

O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura, e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) diz que “na sequência da grave situação social criada pela insolvência das empresas” Conceitos Avulso, Celeste Actual e Nofícios, que fazem parte do Grupo Celeste, solicitou reuniões urgentes com os três administradores de insolvência e com as câmaras municipais de Guimarães e de Vizela, no distrito de Braga.

Para a tarde de quinta-feira está já marcada uma reunião entre uma delegação do SINTAB e o município de Guimarães.

Contactado pela agência Lusa, o dirigente do SINTAB José Eduardo Andrade revela que o Grupo Celeste tem 15 milhões de dívidas, nomeadamente à Segurança Social e às Finanças, mas também a mais de uma centena de credores.

Segundo o dirigente sindical, os trabalhadores ainda não receberam parte dos retroativos dos aumentos salariais de 2024, o subsídio de férias de 2025 e os ordenados desde janeiro deste ano, sublinhando que os funcionários já pediram o subsídio de desemprego.

No comunicado, o SINTAB defende ainda que é “fundamental articular esforços entre os administradores de insolvência, as autarquias e a organização sindical, de forma a acompanhar o impacto social desta decisão e encontrar caminhos que permitam proteger os trabalhadores e as suas famílias”.

“Ao mesmo tempo, o sindicato pretende discutir a possibilidade de ajuda no desbloqueamento de alguns entraves técnicos e burocráticos que têm surgido no processo e que podem estar a dificultar a melhor resolução económica para os trabalhadores, sendo essencial afirmar um princípio de justiça elementar neste processo: todos estes trabalhadores trabalhavam, na prática, para a mesma realidade empresarial e com o mesmo objetivo produtivo, apesar de estarem formalmente distribuídos por três empresas distintas”, frisa o sindicato.

Nesse sentido, o SINTAB entende “que todos os trabalhadores devem poder ser ressarcidos das dívidas laborais através da massa insolvente existente no conjunto do Grupo, independentemente da empresa a que estavam formalmente vinculados”.

“Acresce ainda que, segundo os elementos de que o SINTAB dispõe, a faturação registada nos últimos meses de atividade da empresa principal do grupo será, por si só, suficiente para garantir pelo menos o pagamento integral dos salários em dívida aos trabalhadores, o que reforça a necessidade de assegurar que esses valores sejam canalizados para a satisfação prioritária dos créditos laborais”, salienta o sindicato.

Para o SINTAB, “a prioridade absoluta neste processo deve ser garantir justiça para os trabalhadores que durante anos asseguraram a atividade deste grupo empresarial, impedindo que fiquem desprotegidos perante uma situação de insolvência que não criaram”.

O Grupo Celeste é uma empresa portuguesa com mais de cinco décadas de experiência no setor da panificação e pastelaria.

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