Livre entra na Assembleia Municipal do Porto mas lamenta "voto útil" para a câmara
Porto Canal/Agências
O Livre estará representado na Assembleia Municipal do Porto pela primeira vez após as eleições autárquicas de domingo, um escrutínio em que a sua votação para a assembleia foi muito superior à registada para a câmara.
"O Livre teve um bom resultado para a Assembleia Municipal. O nosso valor é o valor que nós tivemos na Assembleia Municipal. Acreditamos que esse é o eleitorado que o Livre persegue", disse esta segunda-feira à Lusa Hélder Sousa, cabeça de lista do Livre à Câmara do Porto.
Salientando que o partido elegeu duas pessoas para a Assembleia Municipal (Diamantino Raposinho e Gisela Leal) e cinco para as assembleias de freguesia, como o partido não tinha "ninguém antes", Hélder Sousa considerou que "foi um excelente resultado, desse ponto de vista".
Para a Câmara Municipal, a lista do Livre obteve 3.854 votos (3,35%), tendo ficado em sexto lugar, atrás do movimento independente Fazer à Porto, de Filipe Araújo, e da CDU (coligação PCP/PEV), mas para a Assembleia Municipal ficou em quarto lugar, com 6.371 votos (5,54%).
Para Hélder Sousa, no geral, "o resultado foi mau para a cidade porque a esquerda ficou sem vereação na Câmara Municipal do Porto", considerando o candidato que teria "condições para fazer um bom trabalho na vereação".
"O voto útil, claramente, prejudicou-nos e não favoreceu ninguém. Este apelo ao voto útil acabou por não dar oportunidade ao Livre de eleger um vereador, e também não ajudou o Partido Socialista a ganhar, portanto é um sabor muito agridoce este resultado", resumiu.
O objetivo do partido é "continuar o trabalho para daqui a quatro anos estar numa condição ainda melhor para, aí sim, discutir a câmara e se calhar uma convergência mais alargada à esquerda, que talvez esta cidade precise no futuro".
"Para isso, era preciso a esquerda também ter alguma humildade e saber dialogar", considerou o cabeça de lista à Câmara do Porto.
Questionado sobre se isso já não podia ter sido feito desta vez, Hélder Sousa vincou que Manuel Pizarro (PS) "só não ganhou as eleições porque não quis coligar-se" com o Livre e "ter uma conversa séria sobre a coligação, e o BE recusou-se desde sempre a falar com o Manuel Pizarro por considerar que ele não é de esquerda".
"O nosso interesse sempre foi uma coligação de esquerda para ganhar a cidade", vincou, dizendo que uma coligação só com o BE, como chegou a ser negociado, "não iria adiantar grande coisa e o voto útil ia acontecer".
Para Hélder Sousa, "a CDU seria interessante, mas nunca se quis sentar, nunca pôs em cima da mesa a hipótese de uma coligação nem no Porto nem noutro lado".
"Tem o seu percurso que temos que respeitar. O mais natural é que os partidos concorram sozinhos", referiu.
A coligação PSD/CDS-PP/IL venceu as eleições autárquicas de domingo no Porto e Pedro Duarte sucede ao independente Rui Moreira como presidente da Câmara.
Contabilizados os resultados das sete freguesias do concelho do Porto, o PSD/CDS-PP/IL recolhe 37,30% dos votos e elege seis vereadores, enquanto o PS se torna o segundo partido mais votado, com 35,57% e outros seis eleitos, e o Chega fica em terceiro lugar, com 8,22% dos votos, e conquista um mandato.
