Rui Moreira acusa Tiago Braga de incompetência e de "tentar justificar o inexplicável"

Rui Moreira acusa Tiago Braga de incompetência e de "tentar justificar o inexplicável"
| Porto
Porto Canal/Agências

O presidente da Câmara do Porto acusou esta segunda-feira o homólogo da Metro do Porto de incompetência e de tentar "justificar o inexplicável" sobre atrasos nos projetos, estranhando também a falta de uma "intervenção mais firme" do Governo no metrobus.

Numa reação à entrevista de Tiago Braga à Lusa, fonte da Presidência da Câmara do Porto, liderada pelo independente Rui Moreira, refere que "depois de João Porto, Oliveira Marques e Jorge Delgado, cujos legados são inesquecíveis, a política partidária impôs a incompetência para presidir a uma empresa vital para o Porto e para a Área Metropolitana", considerando que "os resultados estão à vista".

Relativamente às obras da Linha Rosa (São Bento - Casa da Música), a mesma fonte assinala que "quem consultar o site da Metro do Porto ainda encontra a referência ao início da obra em junho de 2021, com um prazo de 42 meses e conclusão prevista em 29/12/2023".

"O adiamento de julho deste ano para o primeiro trimestre de 2026, anunciado há dias, não parece compatível com o andamento das obras. O Senhor Presidente da Metro do Porto saberá que estamos em 2025. E sabemos que, confundindo realidade com propaganda, encontrará sempre razões para tentar justificar o inexplicável", acusa.

Tiago Braga disse esta segunda-feira que a crispação institucional com a Câmara do Porto "nunca foi" originada pela transportadora, mas admitiu que condicionou o desenrolar das obras da Linha Rosa.

Segundo a autarquia, os atrasos e o "caos" em "todas as frentes de obra", com "impacto na mobilidade, no conforto e tranquilidade dos residentes, no comércio e nos serviços" levaram a que "pontualmente, os serviços municipais não autorizassem cortes" solicitados, mas salienta que "permitiu obras na Rotunda da Boavista para tentar resolver problemas resultantes do método construtivo escolhido pela Metro do Porto".

"A Câmara Municipal do Porto fez tudo o que estava ao seu alcance, ponderando as necessidades técnicas da obra e os seus imprevistos com a necessidade de garantir as condições mínimas ao funcionamento da cidade, nas suas várias vertentes", garante.

Quanto ao metrobus, refere que "só poderá passar a ser operado pela STCP quando o projeto estiver concluído" (incluindo veículos e fonte de abastecimento) e "quando o Estado assegurar as garantias técnicas da operação vertidas num memorando que há dois anos aguarda por luz verde governamental".

Na entrevista à Lusa, Tiago Braga alertou que caso o metrobus tenha de dar a volta à rotunda da Boavista, bem como misturar-se com o restante tráfego noutros eixos, a eficácia do sistema "é colocada em causa".

Fonte da presidência da Câmara do Porto refere que essa é a "opinião pessoal" de Tiago Braga, relembrando que será a autarquia "a definir essa questão" e a STCP "a propor as melhores soluções ao futuro Executivo Municipal".

"Em julho do ano passado, foi a Metro do Porto quem anunciou que o metrobus entraria em operação, na fase 1, em setembro de 2024", refere ainda, recusando Rui Moreira fazer mais comentários pois há uma Comissão de Acompanhamento do tema na Assembleia Municipal "onde todas as forças políticas estão representadas".

No entanto, o autarca "estranha [...] que a tutela não tenha tido uma intervenção mais firme nesta questão e espera que o futuro Executivo encontre na futura administração da Metro um parceiro credível, recuperando a confiança junto da população que a Metro do Porto merece, e que tem sido delapidada não apenas pelos atrasos, mas também por campanhas sucessivas de desinformação".

Aqui, recorda as enxurradas de janeiro de 2024 "na Rua de Mouzinho da Silveira, que os serviços municipais tiveram de resolver, enquanto a Metro do Porto atribuía a responsabilidade à Câmara e à empresa municipal Águas e Energia do Porto", lembrando que o relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) atribuiu responsabilidades às obras do metro.

"Este episódio, entre tantos outros, documenta a dificuldade de articulação que não se resolve em reuniões técnicas, que sempre existiram", conclui.

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