Metrobus à lupa: Um dos pilares da mobilidade de Nantes de olhos postos no Porto

| Porto
Fábio Lopes e Maria Leonor Coelho

O Porto dá as boas-vindas a um novo sistema de mobilidade no final deste verão. Em vias de chegar à Invicta, o metrobus já revolucionou várias cidades europeias. Os exemplos de Nantes, Aalborg e Pau acalentam a esperança de uma melhor resposta nos transportes públicos da Invicta.

 
 
 
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Situada entre a Bretanha e o Vale do Loire, Nantes é a sexta cidade mais populosa de França. Uma metrópole aberta ao mundo na porta de entrada para o Oceano Atlântico. A cidade foi porto principal do comércio de escravos durante o século XVIII e do desenvolvimento ultramarino e de construção naval, no século XIX, afigurando-se hoje como um exemplo na área da mobilidade, com o metrobus em plano de destaque.

Com a designação de Busway e existente desde 2006, (somente a partir de 2019 como E-Busway, com a eletrificação das viaturas), é um dos principais protagonistas do sistema de mobilidade nantense, merecendo elogios pela sua sustentabilidade energética e ambiental, capacidade em termos de operação e cariz intermodal devido à forma como se conjuga com outros modos de transporte, designadamente o Chronobus e o Metro ligeiro.

Eficiência colhe elogios

“O metrobus é muito rápido, não tens de pensar que o vais perder, é muito eficiente”. “Tem vias próprias e, embora seja um autocarro, nunca fica preso no trânsito”, relatam alguns utilizadores, elegendo o metrobus como primeira opção para se deslocarem diariamente.

Um dos triunfos para o sucesso do projeto é a intermodalidade assente entre os diferentes meios de transporte. A Place Duchesse Anne é um dos principais pontos de embarque e desembarque de passageiros. Autocarro, tram e metrobus são a face visível de um bem oleado sistema de transportes públicos em que a boa conexão entre todos eles salta à vista.

“Sabemos que as pessoas não fazem mais de duas mudanças numa viagem, foi por isso que interligamos os nossos projetos, de modo a que as pessoas cheguem ao destino através de uma só conexão”, frisa Damien Garrigue gestor do projeto em solo gaulês.

Intermodalidade, um dos rostos do sucesso

“A sul, a linha de metrobus está ligada a todas as vias de autocarro e ao elétrico, de forma a oferecer diferentes soluções para atravessar o rio Loire até ao centro da cidade”, acrescenta o responsável, suportado nas palavras de enaltecimento dos passageiros.

“Aqui temos transportes em todo o lado, as paragens são muito próximas das casas, em Portugal temos de andar muito para apanhar o transporte”, salienta uma utilizadora lusa emigrada no município do noroeste francês.

Em Nantes, o sistema de BRT é dos mais eficientes, revela um estudo feito pela Semitan (empresa que gere a rede de transportes da cidade francesa), quando comparado com os outros modos de transporte existentes. Existe desde 2006 e funciona numa extensão de 13 quilómetros.

“Quando as portas se fecham é enviado um sinal para os semáforos de forma a parar os carros, garantindo a prioridade do metrobus” “O metrobus nunca para, exceto nas paragens, temos prioridade absoluta ao longo do trajeto”, defende Damien Garrigue.

De acordo com os dados oficiais da Semitan apresentados à comitiva portuguesa, em Nantes o nível de satisfação dos clientes é superior no Metrobus (8,1 em 10) face ao tramway (7,3), tendo a cidade sido a primeira a implementar os dois sistemas em França.

O carregamento das viaturas elétricas ocorre através de um sistema instalado nos dois terminais e em duas estações intermediárias através de um pantógrafo convertido. As baterias são carregadas em cerca de 20 segundos enquanto os passageiros embarcam e desembarcam. A velocidade é tal que demora apenas um segundo para conectar o equipamento ao ponto de carregamento, tornando-o a tecnologia de conexão mais rápida do mundo.

“Há um dispositivo específico para carregar o metrobus, a conexão é muito rápida, há uma predisposição antes do metrobus chegar e quando o veículo fica debaixo do dispositivo, inicia-se o carregamento. O condutor não faz nada, é tudo automático”, realça Damien Garrigue.

Chegada do metrobus obrigou a “reurbanização”

“Nesta área houve uma reurbanização completa da cidade. Muitos edifícios ao longo da linha não existiam e agora há edifícios ao longo de toda a estrada. Houve uma valorização extraordinária desta zona”, assegura o gestor do projeto do metrobus em Nantes, antecipando a chegada desta solução a solo portuense.

“Se precisas de operar uma linha sobrecarregada, com veículos próximos uns dos outros, é uma boa solução”, remata o responsável.

Na iminência de ser implementado em solo portuense, o novo serviço da Metro do Porto, que ligará a Casa da Música à Praça do Império (em 12 minutos) e à Anémona (em 17) este ano, tem em terras gaulesas um bom exemplo, tendo em vista uma melhor resposta dos transportes públicos da Invicta.

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