Os rostos da classe (política) de 2024

Os rostos da classe (política) de 2024
| Política
Porto Canal

O novo ano arranca com eleições legislativas no horizonte e com a maioria dos líderes partidários a ir a votos pela primeira vez. Entre os nove representantes dos principais partidos as diferenças são muitas, desde logo na idade de cada um. Sendo certo que 20 anos separam Mariana Mortágua de Nuno Melo, como seriam estes candidatos se tivessem nascido todos no mesmo ano e pertencido à mesma turma? O Porto Canal recorreu à Inteligênica Artificial (IA) para responder a esta questão, e dessa forma surgiu o anuário escolar da classe política de 2024.

A crise desencadeada pela demissão de António Costa levou Marcelo Rebelo de Sousa a dissolver a Assembleia da República e convocar eleições legislativas para 10 de março.

 
 
 
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Entre antigos e velhos nomes, são nove os rostos mais conhecidos dos portugueses que vão enfrentar o escrutínio popular dentro de menos de dois meses. Desses nove, seis assumem pela primeira vez a liderança do partido para umas legislativas.

Há, ainda assim, apenas um que nunca passou pela casa da democracia portuguesa – Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP. Seis dos seus opositores foram deputados na legislatura que agora termina, sendo de realçar que das eleições de 2024 sairá um primeiro-ministro que nunca passou pelo cargo, e com ligações à cidade do Porto.

Outra garantia para 2024 é o rejuvenescimento dos líderes políticos, principalmente nos dois partidos que têm governado Portugal no pós-25 de abril. Pedro Nuno Santos, no PS, tem 46 anos, contrastando com os 62 de António Costa. Já no PSD, Luís Montenegro, com 50, é também ele mais novo que o anterior presidente do partido Rui Rio, que fará em agosto 67 anos.

Os dois principais candidatos a primeiro-ministro partilham ambos uma característica digna de nota: no ano em que se assinalam os 50 anos da Revolução dos Cravos, a pessoa que vai liderar o Governo terá nascido já em liberdade.

Entre local de nascimento, estudos e carreira profissional, dentro e fora dos corredores políticos, ficamos a conhecer um pouco mais desta que é a classe política de 2024.

 

Pedro Nuno Santos

O atual secretário-geral do Partido Socialista nasceu em São João da Madeira, no distrito de Aveiro, a 13 de abril de 1977. Licenciou-se em Economia, no ISEG, em Lisboa. A sua atividade profissional começou no grupo empresarial da família, Grupo Tecmacal SA., com sede na cidade natal de Pedro Nuno.

Foi secretário-geral da Juventude Socialista entre 2004 e 2008. Em 2005 é eleito pela primeira vez à Assembleia da República na X Legislatura, voltando ao Parlamento em 2011, a propósito da XII Legislatura. Nas eleições de 2015 torna a integrar as listas do PS, garantindo depois a entrada para o Governo com a formação da “geringonça”, tendo sido considerado um dos obreiros do acordo político à esquerda, enquanto secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares entre 2015 e 2019. Foi depois ministro das Infraestruturas e Habitação, tendo-se demitido do cargo em 2023, em virtude do polémico caso da indemnização à antiga administradora da TAP Alexandra Reis.

É o mais recente líder político, tendo sido eleito secretário-geral do PS a 16 de dezembro de 2023.

Luís Montenegro

O presidente do Partido Social Democrata nasceu a 16 de fevereiro de 1976, no Porto. Luís Montenegro licenciou-se em direito pela Universidade Católica Portuguesa, tendo iniciado a sua vida política na JSD, já em Espinho, onde escolheu depois viver. Lá, foi candidato à Câmara Municipal, vereador e ainda presidente da Assembleia Municipal. Na vida profissional, exerceu a profissão de advogado, tendo fundado o escritório SP&M, do qual foi sócio até julho de 2022.

A carreira política nacional arranca em 2002, quando foi eleito deputado à Assembleia da República. Ocupou o cargo ao longo de 16 anos, até à saída do Parlamento em 2017. Entre essa data e 2011 foi também o presidente da bancada parlamentar do PSD.

Candidatou-se pela primeira vez à liderança dos sociais-democratas em 2020, contra o então presidente Rui Rio. Chegou à segunda volta, mas sairia derrotado. Mais tarde, em 2022, e já após a saída de Rio, Montenegro conquistaria a presidência do partido, derrotando Jorge Moreira da Silva nas diretas do PSD.

André Ventura

O líder do CHEGA nasceu a 15 de janeiro de 1983, em Sintra. Licenciou-se em direito pela Universidade Nova de Lisboa e completou o seu doutoramento em Direito Público pela Faculdade de Direito da Universidade de Cork, na Irlanda, em 2013.

Foi professor universitário entre 2013 e 2019, tendo lecionado na Universidade Autónoma de Lisboa e na Faculdade de Direito da Faculdade Nova de Lisboa. Desempenhou também o cargo de consultor numa sociedade de advogados e numa empresa de contabilidade. Mas foi na televisão, como comentador na CMTV, que ganhou notoriedade pública. Entre 2014 e 2020 cimentou a sua presença no canal, debatendo sobre futebol e política.

Militante do PSD, foi o escolhido pelo partido para concorrer à Câmara de Loures em 2017. Perdeu a eleição, mas o discurso sobre o povo cigano colocou Ventura na esfera nacional. Acabaria por se desvincular dos sociais-democratas, tendo fundado o CHEGA em 2019. Poucos meses depois da legalização do partido, conseguiu ser eleito à Assembleia da República nas legislativas desse mesmo ano. É presidente do CHEGA desde a sua fundação, tendo sido sempre o escolhido do partido para o liderar.

Rui Rocha

O presidente da Iniciativa Liberal nasceu em Lobito, Angola, a 13 de março de 1970, residindo em Braga desde 1978. Licenciou-se em Direito pela Universidade Católica Portuguesa. Foi advogado, consultor jurídico e depois diretor de recursos humanos.

Ainda antes da fundação da IL, Rui Rocha era conhecido nos círculos de blogues políticos na Internet, tendo ganho mais reconhecimento público nos anos recentes através do antigo Twitter.

Chegou ao partido liberal em 2020, e integrou as equipas de comunicação que fizeram as campanhas às presidenciais e legislativas. Em 2022, nas eleições antecipadas, foi o escolhido pela IL para ser cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Braga. Contra até as próprias previsões do partido, Rocha conseguiu ser eleito deputado à Assembleia da República. A liderança surge depois em janeiro de 2023, quando Rui Rocha aparece como o candidato da continuidade depois da saída de João Cotrim de Figueiredo.

Mariana Mortágua

A coordenadora do Bloco de Esquerda nasceu a 24 de junho de 1986 em Alvito, vila no distrito de Beja. Com 37 anos, Mariana Mortágua é a mais jovem dos líderes políticos que vão a votos a 10 de março. É licenciada e mestre em economia pelo ISCTE, em Lisboa, com um doutoramento na mesma área pela Universidade de Londres.

Foi investigadora, professora assistente e tem obra publicada no ramo das finanças. Desde cedo envolvida na vida política, com o pai Camilo Mortágua a ser um ativista antifascista com especial relevo durante a ditadura salazarista, Mariana Mortágua entrou para o Parlamento pelo BE em 2013. Ganhou destaque na Comissão Parlamentar de Inquérito do BES, pela forma como confrontou Ricardo Salgado e Zeinal Bava.

É desde então deputada na Assembleia da República, tendo sido eleita coordenadora nacional dos bloquistas a 28 de maio de 2023.

Paulo Raimundo

O secretário-geral do Partido Comunista Português nasceu a 24 de setembro de 1976, em Cascais. Viveu em Setúbal a partir dos três anos e é, de todos os líderes partidários, aquele com menor currículo político conhecido.

A sua vida profissional passou pela carpintaria, padaria, tendo sido ainda animador cultural. Grande parte da vida adulta de Paulo Raimundo foi ao serviço do PCP. Aderiu à Juventude Comunista em 1991, com apenas 15 anos, é membro do partido desde 1994 e funcionário desde 2004.

Foi eleito membro do Comité Central com apenas 20 anos. Em 2020, durante a pandemia, Raimundo foi eleito para a Comissão Política e para o Secretariado do Comité Central. A sua liderança do partido, no cargo de secretário-geral, foi anunciada a 5 de novembro de 2022, depois da saída de Jerónimo de Sousa, que ocupava o lugar desde 2004.

Inês Sousa Real

A porta-voz do PAN - Pessoas-Animais-Natureza nasceu a 6 de junho de 1980, em Lisboa. Licenciou-se em Direito pela Universidade Autónoma de Lisboa e o seu interesse pelos animais manifesta-se desde cedo, com um mestrado em Direito Animal e Sociedade pela Universidade Autónoma de Barcelona.

Foi jurista na Câmara Municipal de Sintra e em 2014 assumiu funções como Provedora Municipal dos Animais de Lisboa. A sua presença no PAN surge antes disso, em 2011, quando se vincula ao partido. Foi candidata pela primeira vez em 2017, nas autárquicas, onde foi eleita deputada municipal em Lisboa.

Chega ao Parlamento em 2019, nas eleições legislativas desse ano. Foi líder parlamentar do PAN até 2021, altura em que é eleita porta-voz do partido, aquando da saída do até então líder André Silva.

Rui Tavares

O cabeça de lista do LIVRE pela capital nasceu a 29 de julho de 1972 em Lisboa. Passou grande parte da infância numa aldeia do Ribatejo, tendo regresso para licenciar-se em História e História da Arte pela Universidade Nova de Lisboa. Doutorou-se em História na cidade de Paris. Exerce até aos dias de hoje a profissão de historiador, com vários livros publicados ao longo da sua vida.

A sua vida política começa em 2009, quando é eleito deputado ao Parlamento Europeu como independente integrado nas listas do Bloco de Esquerda. Em 2011 rompe com o partido por divergências com a liderança dos bloquistas. O mandato termina em 2014, ano em que se torna um dos fundadores do LIVRE.

Foi eleito vereador da Câmara de Lisboa depois das eleições de 2021 aquando da coligação feita com o PS que pretendia liderar a autarquia. Mas a derrota para o PSD de Carlos Moedas remeteu Rui Tavares para uma vereação sem pelouros. Não foi candidato nas legislativas de 2019, quando Joacine Katar-Moreira foi a primeira eleita do LIVRE ao Parlamento. Depois da deputada se ter desvinculado do partido, o historiador assumiu a candidatura em 2022, sendo eleito pelo círculo de Lisboa. Nas primárias do LIVRE no mês de dezembro de 2023, voltou a ser eleito para cabeça de lista do partido no distrito eleitoral da capital.

Nuno Melo

O presidente do CDS – Partido Popular nasceu a 18 de março de 1966 em Vila Nova de Famalicão. De todos os líderes políticos atuais, é o mais velho. Licenciou-se em Direito pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique.

Advogado de profissão, chega à política em 1999, quando é eleito pelas listas de Braga do CDS à Assembleia da República. Voltou a concorrer e voltou sempre ao Parlamento nas duas legislaturas seguintes, tendo sido líder parlamentar entre 2004 e 2007, altura em foi eleito vice-presidente da AR.

Em 2014 deixa o Parlamento português para seguir rumo à Europa. Foi eleito deputado europeu, cargo que mantém até aos dias de hoje. Um seguidor da liderança de Paulo Portas, chega à presidência do CDS-PP em 2022, no pior momento da história do partido, depois das eleições que deixaram os centristas sem representação parlamentar.

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