Dois anos depois do fecho da Refinaria de Matosinhos trabalhadores continuam com as vidas em suspenso

André Arantes e Pedro Gabriel Soares
| Norte
Henrique Ferreira

Dois anos depois do encerramento definitivo da refinaria de Matosinhos a maioria dos trabalhadores continua com a vida em suspenso. A maior parte está ainda desempregada e as soluções apresentadas não chegam para todos. De recordar que, logo depois da Galp ter decidido concentrar as operações em Sines, foi criado um fundo de transição justa para financiar o futuro dos antigos trabalhadores.

“Nunca pensámos que o encerramento iria originar o despedimento”, começa por contar ao Porto Canal João Marinho, antigo trabalhador da Petrogal. “Achávamos que como a Galp era uma empresa grande, bastante lucrativa não teria grande necessidade de fazer um despedimento coletivo”, explica.

A Galp desligou a última unidade de produção da refinaria de Matosinhos a 30 de abril de 2021, na sequência da decisão de concentrar as operações em Sines.

“Tem sido um desgaste para mim e para a minha família”, afirma César Martins, que continua desempregado e sem perspetivas de futuro.

O ex-trabalhador critica ainda a forma como as entidades responsáveis pela resolução do problema se apoderaram das ideias dos trabalhadores. “Houve um grupo de funcionários que falou com a CP e eles agarraram-se à ideia comos se fosse deles”. Em causa está o curso de formação de maquinistas que vai ser disponibilizado de forma gratuita a alguns trabalhadores e que segundo a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, irá arrancar dentro de pouco tempo.

Apesar disso, esta não é a solução ideal, dizem os trabalhadores. A forma de resolver o problema é, para João Marinho e César Martins, a reintegração de todos os funcionários despedidos nos quadros da Galp, mesmo que noutras funções.

Opinião partilhada pela própria Comissão de Trabalhadores da Petrogal. “De todas as declarações de intenções na altura do encerramento da refinaria do Porto nenhuma se concretizou e tudo se mantém inalterado, ou pior, indefinido. O futuro de muitos trabalhadores também continua por definir à mercê de vontades políticas que não se desembrulham e também da má vontade da administração em assumir a sua obrigação de reintegração incondicional de todos os trabalhadores”, sublinhou a CCT da Petrogal, em comunicado.

A posição formal dos trabalhadores da empresa surgiu esta quinta-feira, depois de, na passada quarta-feira, o ministro da Economia ter defendido que o Centro Internacional de Biotecnologia Azul, a instalar nos terrenos da antiga refinaria, vai “colocar Portugal na liderança” da transformação do modelo de desenvolvimento económico, mas reconheceu existirem “obstáculos”.

 

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