Mina de lítio em Boticas. Associação de defesa da população apela à rejeição da mina

Mina de lítio em Boticas. Associação de defesa da população apela à rejeição da mina
| Norte
Porto Canal / Agências

A associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) apelou à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para que rejeite o projeto reformulado da mina do Barroso, Boticas, que obteve "um recorde” de 912 participação na consulta pública.

A consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da mina do Barroso, proposto pela empresa Savannah Resources para Boticas, no distrito de Vila Real, terminou na quarta-feira com 912 participações submetidas através do portal Participa.

No primeiro procedimentos, em 2021, foram submetidas 166 participações naquela plataforma ‘online’.

A UDCB, associação criada para lutar contra a exploração mineira, apelou à APA para que rejeite o projeto reformulado e argumentou, em comunicado enviado à agência Lusa, que as “alterações são manifestamente insuficientes para calar os protestos da população local, de especialistas e de protetores do ambiente e da biodiversidade”.

A associação considerou “inaceitável” que a reformulação do projeto “tenha sido permitida, apesar de todos os inevitáveis impactos”.

A Savannah submeteu o EIA da mina do Barroso em junho de 2020 e, dois anos depois, o projeto recebeu um parecer “não favorável” por parte da comissão de avaliação da APA.

Segundo a UDCB, apenas se “opuseram à decisão” a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), mas, ao abrigo do artigo 16.º do regime jurídico de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), o projeto foi reformulado e ressubmetido a apreciação.

De acordo com a informação avançada pela Savannah Resources, o prazo para a emissão da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) é de 31 de maio e a empresa já disse que espera que o projeto obtenha a sua licença ambiental em 2024.

A associação lembrou que o parecer desfavorável foi justificado pela “ameaça que o projeto representa para o lobo ibérico”, bem como “pelos impactos negativos significativos, sobretudo ao nível da alteração do relevo, da rede hidrográfica e da perda de vegetação”.

A UDCB disse ter contactado especialistas, como Steven Emerman, consultor internacional de impactos ambientais de projetos de mineração, que se mostrou “alarmado com a falta de precauções de segurança num projeto que conta com cenários ideais para ser bem-sucedido” e alertou que a “instalação de armazenamento de rejeitados perto de rios, tal como a empresa projeta, não é considerada uma boa prática e, inclusive, em algumas jurisdições, como na China, tal é proibido”.

Referiu ainda que o relator das Nações Unidas para o Meio Ambiente, David Boyd, considerou que o “projeto em avaliação viola claramente o direito a um ambiente saudável e sustentável”.

Também o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) reafirmou, em comunicado, o seu “não” à exploração de lítio em Covas do Barroso, considerando que a reformulação do projeto “nunca deveria ter acontecido e carece de legitimidade”.

Os Verdes alertaram para “a destruição ambiental que este projeto mineiro trará para a região do Barroso” e colocaram-se “ao lado das populações”, defendendo que estas “mereciam uma maior transparência”, num processo que se arrasta há anos.

Para o PEV, “não existem medidas minimizadoras ou compensadoras que consigam atenuar os impactos que a mina terá numa área de excelência em termos ambientais”, destacando a “perda de biodiversidade e destruição da paisagem”, a “desproteção das espécies protegidas, sobretudo, para o lobo-ibérico” e as “desastrosas consequências para a saúde da população”.

A mina do Barroso tem uma duração estimada de 17 anos e a área de concessão prevista é de 593 hectares.

+ notícias: Norte

“Ato fora da lei”. Homem atravessa o Rio Douro numa corda perante desconhecimento das autoridades

Um homem foi filmado, durante a tarde deste sábado, a atravessar o Rio Douro num cabo que liga a margem de Vila Nova de Gaia ao Porto. Contactada pelo Porto Canal, a nona esquadra da Polícia de Segurança Pública (PSP) do Porto assegurou, inicialmente, tratar-se este de um evento que decorre durante o fim-de-semana, um cenário refutado momentos depois.

Golfinho ferido com gravidade resgatado na Ria de Aveiro pela GNR

Um golfinho foi resgatado das pedras do molhe do Norte na Barra de Aveiro, no dia 9 de abril, por uma Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF) da Guarda Nacional Republicana.

Suspensas buscas do jovem desaparecido no mar da praia da Costa Nova 

AS buscas do jovem de 19 anos que desapareceu este domingo no mar da praia da Costa Nova, em Ílhavo (Aveiro), vão ser suspensas ao final do dia, anunciou a Autoridade Marítima Nacional.