Benfica tentou pagar impostos em atraso para travar processo “Saco Azul”
Porto Canal
De acordo com informações avançadas pela revista Visão, a Procuradoria Geral da República concedeu mais 30 dias ao procurador do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa responsável pelo processo que visa o Benfica. O magistrado do Ministério Público terá recusado a suspensão provisória do processo, proposta pela SAD do Benfica, e que implicaria o pagamento na totalidade dos impostos em atraso.
Segundo o Correio da Manhã, o Benfica ter-se-á mostrado disposto a pagar ao Fisco o valor que fosse determinado "como efetivamente devido", tendo em vista a suspensão do processo, opção que terá sido rejeitada pelo Ministério Público.
“Saco Azul” é o nome do processo que investiga suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais por parte do clube encarnado, sendo este o sexto adiamento solicitado pelo procurador que alegou estar a trabalhar em “processos complexos de natureza prioritária”.
Recorde-se que, de acordo com um relatório da Polícia Judiciária, está em causa neste processo o crime de fraude fiscal qualificada, devido às transferências da SAD encarnada e da Benfica Estádio para a empresa 'Questão Flexível', na ordem dos 1,8 milhões de euros.
A PJ refere nas suas conclusões que as verbas alegadamente resultantes de "negócios simulados" terão sido canalizadas para a constituição do denominado "saco azul", que se "presume ser utilizado para efetuar pagamentos não documentados".
A Polícia Judiciária conclui ainda que "foram recolhidos fortes indícios da prática do crime de fraude fiscal qualificada" por parte dos arguidos Benfica SAD, Benfica Estádio, nas pessoas do então presidente Luís Filipe Vieira, Domingos Soares Oliveira (administrador da SAD) e do então diretor financeiro Miguel Moreira.
De acordo com informações avançadas pelo Diário de Notícias, para a PJ, estes arguidos "gizaram um plano criminoso, assente na imputação fictícia de custos às referidas sociedades" e “contaram com a colaboração" da empresa Questão Flexível, Lda e do seu sócio-gerente José Bernardes, bem como dos arguidos José Raposo e Paulo Silva, tendo alegadamente sido celebrados contratos de prestação de serviços, que "permitiram uma imputação fictícia de custos que ascendeu a pelo menos 2.265.660,00€".
Valor que terá sido levantado em numerário através de cheques à ordem de José Raposo e Paulo Silva, tendo depois sido procedido à emissão de faturas falsas por serviços de consultadoria informática.
O relatório da PJ diz que a Benfica SAD obteve "uma vantagem patrimonial indevida de 64.768,00 euros em sede de IRC e de 116.380,00 em sede de IVA, respeitante ao ano desportivo de 2016/17". Ao mesmo tempo, é apontado que a Benfica Estádio obteve "uma vantagem patrimonial indevida de 154.100,00 no ano desportivo de 2016/17 e de 153.180,00 no ano de 2017/18, ambas em sede de IVA".
Quantias que os advogados do Benfica dizem que não ficaram provadas que foram usadas para pagamentos a terceiros, e por isso, ao fim de cinco anos de investigação pedem o arquivamento do conhecido processo “Saco Azul”.
Árbitro Bruno Paixão terá recebido milhares de euros do "saco azul" do Benfica
De recordar que, enquanto desempenhava a função de árbitro de primeira categoria, Bruno Paixão trabalhou e recebeu dinheiro de uma empresa da área da informática que as autoridades acreditam ter funcionado como “saco azul” do Benfica.
As autoridades ligam o árbitro à empresa Best for Business, do empresário José Bernardes – e um dos arguidos no processo Saco Azul, um dos que correm contra a SAD dos “encarnados”, o ex-presidente Luís Filipe Vieira e ainda o administrador Domingo Soares de Oliveira.
À TVI/CNN, o árbitro admitiu que recebeu dinheiro da empresa, mas alega ser uma coincidência ter trabalhado para o empresário suspeito de ter ajudado o antigo dirigente Luís Filipe Vieira a retirar 1,9 milhões de euros dos cofres das “águias”.
