Lula critica segurança em Brasília e diz que houve "conivência explícita da polícia" na tentativa de golpe

Lula critica segurança em Brasília e diz que houve "conivência explícita da polícia" na tentativa de golpe
| Mundo
Porto Canal / Agências

O Presidente do Brasil criticou a atuação dos agentes de segurança no domingo, quando 'bolsonaristas' invadiram instituições públicas em Brasília, tentando um golpe que Luiz Inácio Lula da Silva garantiu que não acontecerá.

"Eles [apoiantes do ex--presidente Jair Bolsonaro] querem é golpe e golpe não vai ter", disse Lula da Silva, durante uma reunião com governadores e representantes dos 27 estados do país, juízes, ministros e políticos.

 
 
 
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"Eles têm que aprender que a democracia é a coisa mais complicada para a gente fazer, porque exige a gente suportar os outros, exige conviver com quem a gente não gosta, com quem a gente não se dá bem, mas é o único regime que permite que todos têm a chance de disputar e quem ganhar tem o direito de governar", acrescentou.

Num encontro que reuniu governadores, juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) incluindo a presidente do tribunal, Rosa Weber, ministros, o Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, o primeiro vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rego e o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, o chefe de Estado brasileiro também criticou a atuação dos agentes de segurança que escoltaram os 'bolsonaristas' até a Praça dos Três Poderes, antes deles invadirem instituições públicas.

"Havia uma conivência explícita da polícia apoiando os manifestantes. Mesmo aqui no Palácio [do Planalto], soldado do Exército brasileiro conversando com as pessoas como se fossem aliados", disparou Lula da Silva.

O Presidente brasileiro reafirmou que pelo menos 1.500 pessoas foram detidas após os atos violentos em Brasília e disse que o Governo irá esforçar-se para investigar todos os envolvidos em atos de vandalismo.

Lula garantiu ainda que serão investigados os financiadores tanto das caravanas de autocarros que os levaram a Brasília como dos acampamentos montados na frente de quartéis em todo o país, que foram desmontados por ordem da Justiça nesta segunda-feira depois de mais de dois meses de mobilização contra o resultado eleitoral.

"Vamos descobrir quem financiou e pagou. Sou especialista em acampamentos e greves e é impossível ficar dois meses sem ter financiamento para garantir o pão de cada dia. Não vamos ser autoritários, mas vamos investigar", disse.

"Foi muito difícil conquistarmos a democracia nesse país. Precisamos de aprender a conviver democraticamente na diversidade", acrescentou Lula da Silva.

O governante defendeu uma união de políticos de esquerda, centro, direita e instituições republicanas para preservar a democracia.

"Não vamos permitir que a democracia escape das nossas mãos, porque é a única chance de a gente garantir que esse povo humilde consiga comer três vezes ao dia, ou ter direito de trabalhar", concluiu.

Depois do encontro, todos os participantes saíram juntos do Palácio do Planalto e caminharam até a sede do STF, num gesto simbólico de apoio ao poder judiciário que foi muito atacado por Bolsonaro durante os últimos quatro anos e danificado no domingo por apoiantes do antigo presidente.

'Bolsonaristas' invadiram e vandalizaram no domingo as sedes do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Palácio do Planalto, em Brasília, obrigando à intervenção policial para repor a ordem e suscitando a condenação da comunidade internacional.

A Polícia Militar conseguiu recuperar o controlo das sedes dos três poderes, numa operação de que resultaram cerca de 1.500 detidos.

 
 
 
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A invasão começou depois de militantes da extrema-direita brasileira apoiantes do anterior presidente, derrotado por Lula da Silva nas eleições de outubro passado, terem convocado um protesto para a Esplanada dos Ministérios.

Entretanto, o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes afastou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, por 90 dias, considerando que tanto o governador como o ex-secretário de Segurança e antigo ministro da Justiça de Bolsonaro Anderson Torres terão atuado com negligência e omissão.

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