Votação na especialidade da eutanásia agendada para hoje após três adiamentos

Votação na especialidade da eutanásia agendada para hoje após três adiamentos
| Política
Porto Canal/Agências

Após três adiamentos, a votação na especialidade do texto final sobre a morte medicamente assistida está agendada para hoje no parlamento, tentando ultrapassar o veto político do Presidente da República.

O debate e votação na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias do texto, que tem por base projetos de lei do PS, Iniciativa Liberal, BE e PAN, já foi adiado três vezes.

A primeira vez foi através de um pedido potestativo (ou seja, obrigatório) do Chega. Da segunda vez foi o PS que pediu o adiamento e na semana passada a votação foi novamente adiada após um pedido do Chega aprovado em comissão.

Caso o texto final tenha 'luz verde' na especialidade esta quarta-feira, segue para votação final global em plenário, que deverá ocorrer na sexta-feira. Se for aprovado, o diploma segue para o Palácio de Belém. O Presidente da República pode promulgar ou vetar o decreto do parlamento ou ainda enviá-lo para o Tribunal Constitucional para verificação da sua conformidade com a lei fundamental.

O texto de substituição foi 'fechado' em meados de outubro no grupo de trabalho sobre a morte medicamente assistida.

Na versão que vai a votos, o diploma estabelece que a “morte medicamente assistida não punível” ocorre “por decisão da própria pessoa, maior, cuja vontade seja atual e reiterada, séria, livre e esclarecida, em situação de sofrimento de grande intensidade, com lesão definitiva de gravidade extrema ou doença grave e incurável, quando praticada ou ajudada por profissionais de saúde”.

Desta vez, em comparação ao último decreto, o texto de substituição deixa cair a exigência de "doença fatal".

O texto final estabelece agora um prazo mínimo de dois meses desde o início do procedimento para a sua concretização, sendo também obrigatória a disponibilização de acompanhamento psicológico.

Na anterior legislatura, a despenalização, em certas condições, da morte medicamente assistida, alterando o Código Penal, reuniu maioria alargada no parlamento, mas foi alvo de dois vetos do Presidente da República: uma primeira vez após o chumbo do Tribunal Constitucional, na sequência de um pedido de fiscalização de Marcelo Rebelo de Sousa.

Numa segunda vez, em 26 de novembro, o Presidente rejeitou o diploma através de um veto político realçando que ao longo do novo texto eram utilizadas expressões diferentes na definição do tipo de doenças exigidas e defendendo que o legislador tinha de optar entre a "doença só grave", a "doença grave e incurável" e a "doença incurável e fatal".

Esta semana, o PSD entregou um projeto de resolução que propõe um referendo sobre a despenalização da eutanásia. O PS, PCP e o PAN já se posicionaram contra esta iniciativa e o Chega defendeu que a proposta dos sociais-democratas “é inconstitucional”, alegando que a lei fundamental proíbe que um projeto de referendo definitivamente rejeitado possa voltar a ser apresentado na mesma sessão legislativa.

O Chega apresentou um projeto de resolução para a realização de um referendo sobre a eutanásia, que foi rejeitado em 09 de junho, ou seja, ainda no decorrer da presente sessão legislativa.

À tarde, pelas 14h30, após a reunião da comissão de Assuntos Constitucionais, a conferência de líderes parlamentares vai reunir-se extraordinariamente para discutir o projeto de resolução do PSD, adiantou à Lusa fonte parlamentar.

+ notícias: Política

Aprovada comissão de inquérito à TAP 

A proposta do BE para constituir uma comissão de inquérito à tutela política da gestão da TAP foi esta sexta-feira aprovada no parlamento, contando com a abstenção do PS e PCP e os votos a favor dos restantes.

Parlamento vive mais um momento de tensão. Chega ergue cartazes contra Catarina Martins e acaba criticado

Depois da confirmação do Parlamento, esta sexta-feira, para a recusa de levantamento da imunidade parlamentar à líder do Bloco de Esquerda, os deputados do Chega levantaram-se e ergueram cartazes com a fotografia de Catarina Martins e com a palavra “impunidade” por baixo, enquanto batiam nas mesas.

PSD: Montenegro eleito novo presidente com 73% dos votos

O social-democrata Luís Montenegro foi hoje eleito 19.º presidente do PSD com 73% dos votos, vencendo as eleições diretas a Jorge Moreira de Silva, que alcançou apenas 27%, segundo os resultados provisórios anunciados pelo partido.