Histórico Cinema Batalha reabre portas a 9 de dezembro 

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Porto Canal / Agências

Doze anos depois do encerramento está quase tudo pronto para o emblemático cinema Batalha voltar a abrir portas ao público. As obras de reabilitação, que custaram mais de 5 milhões de euros, e o restauro do edifício desvendaram os painéis de Júlio Pomar tapados pela PIDE em 1946 e que estão agora em liberdade. O espaço vai agora chamar-se centro de cinema Batalha e já apresentou a programação que pretende ser transversal a todos os públicos.

O Cinema Batalha, no Porto, reabre no dia 9 de dezembro com o ciclo temático “Políticas do Sci-Fi”, dedicado à ficção científica, após obras de reabilitação de 5,17 milhões de euros.

O emblemática espaço portuense, que esteve inativo e devoluto desde 2010, reabre com temas “fraturantes” como o “cataclismo nuclear”, as “diásporas” ou a “ecologia”, revelou hoje o diretor do espaço, Guilherme Blanc, em conferencia de imprensa, que decorreu na instituição cultural agora denominada Batalha Centro de Cinema.

“Combinando filmes contemporâneos com cinema clássico coloca-se no centro do programa a ideia de que o próprio tempo poderá ser uma mera ficção, na construção das sociedades”, lê-se no caderno inaugural do Batalha Centro Cinema Batalha.

Em março, maio e junho estão programados outros três ciclos temáticos: “Domesticidade(s)”, “El Futuro Ya No Está Aqui” e “Contra-Fluxos”, respetivamente.

O segundo programa temático do Batalha, “Domesticidade(s)” aborda o “espaço doméstico no contexto das diferentes vivências”, focando-se nas “ruturas e possibilidades afetivas, enquanto motores económicos da sociedade” e tem a curadoria de Alejandra Rosenberg Navarro e Ana David.

Já o terceiro programa temático oferece aos espectadores uma perspetiva sobre o processo de libertação de Espanha e da sua transição para a democracia, propondo filmes sobre a movida madrilena, liberdade sexual, transgressão, drogas, moda, música ou sobre a primeira realizadora feminista do país, Josefina Molina, e as novas expressões de cinema ‘queer’ e trans, anteriormente proibidas pelo franquismo. Este programa tem a curadoria de Guilherme Blanc e Virginia Pablos.

“Contra-Fluxos” sobre a água, migrações e clima é quarto ciclo programático e tem a curadoria de Almudena Escobar Lopez e Margarida Mendes.

Entre dezembro e julho de 2023 vai acontecer o “Focus e Retrospetivas”, que são ciclos dedicados à filmografia de cineastas e artistas nacionais e internacionais com trabalhos contemporâneos e antigos.

O ciclo arranca com uma retrospetiva que atravessa mais de cinco décadas dos filmes da realizadora Claire Denis, que estreou duas novas longas-metragens em Berlim e Cannes.

“Focus e Retrospetiva” é um “eixo fundamental da programação que espelha a visão de diversidade formal, temática, geracional e geográfica inerente ao Batalha”, pode ler-se no Caderno Inaugural.

O Cinema Batalha não vai fazer estreias comerciais, uma característica que vai diferenciar aquela instituição cultural relativamente a outros operadores da cidade do Porto, lembrou Guilherme Blanc, referindo que o Batalha pode ser “um motor importante para amplificar os públicos no cinema”.

As bilheteiras vão abrir no dia 17 de novembro e a média de sessões por semana vão ser sete filmes, sendo que no caso de serem filmes portugueses vai haver o “esforço” de os legendar a todos em inglês a pensar nos turistas e na “acessibilidade”, explicou o diretor artístico, à margem da conferência de imprensa.

“Luas Novas”, para mostrar filmes de novos nomes do cinema nacional, “Coletivos”, “Cinema com História”, “Cinema ao Redor” com cursos de crítica de cinema ou oficinas de realização para a infância, “Festivais e Mostras” onde são apresentados, por exemplo, o Fantasporto, ou “Música e Performance” para explorar a ligação do cinema à música, são outros momentos da programação do Batalha até julho de 2023.

 

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