Óbito/Eduardo dos Santos: Presidente de Angola aumenta período de luto nacional para sete dias

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Porto Canal / Agências

Oito sindicatos da CGTP de liderança socialista e bloquista expressaram hoje a sua "condenação clara" à invasão da Ucrânia pela Rússia, manifestando solidariedade para com o povo ucraniano, divergindo da posição assumida pela central sindical.

Num abaixo-assinado apresentado hoje durante uma conferência de imprensa, em Lisboa, os oito sindicatos assumem que a invasão da Ucrânia pela Rússia foi "uma ação militar contra um país independente e soberano", que ataca o direito internacional, considerando que "todas as ações imperialistas, independentemente do Estado que as materialize, são condenáveis" e devem ser "combatidas sem tibiezas".

O documento representa a posição político-sindical do Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira (SERAM), Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Actividades Diversas (STAD), Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Alta, Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios e Vestuário do Centro, Sindicato Livre dos Pescadores e Profissões Afins, Sindicato Nacional dos Profissionais da Indústria e Comércio do Calçado, Malas e Afins e Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica (STSS) e Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços do Minho (CESMINHO) -- com a dirigente deste último a ser a única que não pode estar presente na conferência de imprensa.

Sublinhando a "condenação clara" à invasão da Ucrânia pela Rússia e apelando para uma solução sob a égide das Nações Unidas, os sindicatos subscritores notam que esta declaração "segue em linha" com "todo o passado de mais de 50 anos de luta da CGTP-In" pela paz e de solidariedade para com os trabalhadores de todo o mundo.

Carlos Trindade, presidente da Mesa da Assembleia-Geral do STAD e ex-líder da Corrente Sindical Socialista (CSS) da CGTP -- agora liderada por Fernando Gomes --, que coordenou a conferência de imprensa, admitiu que a posição conjunta assumida pelos oito sindicatos é "uma diferença clara" face à posição da central sindical em relação ao conflito na Ucrânia mas recusou tratar-se de uma rutura.

"Não é uma rutura com a direção [da CGTP], é uma diferença clara com as posições que a direção de forma maioritária tomou nesta matéria, posições estas em que estas organizações não se reconhecem, que não refletem a sua opinião", o que as levou a decidir que num assunto como este não podem, "por omissão, deixar de tomar uma posição", disse Carlos Trindade.

Questionado sobre eventuais consequências no seio da central sindical -- onde a corrente socialista e bloquista estão em minoria no Conselho Nacional -- Carlos Trindade precisou que ao fazer esta declaração conjunta, os dirigentes sindicais estão a dizer que "existem divergências", - "não as escamoteamos" -- mas também que continuam "dentro da CGTP" porque a CGTP é a sua confederação.

Lembrou, a propósito, que muitos dos dirigentes que o acompanhavam nesta conferência de imprensa estiveram esta quinta-feira na manifestação convocada pela CGTP.

Sempre que for necessário, disse, estes dirigentes sindicais continuarão a transmitir "com toda a clareza" as suas posições, mesmo que diferentes, adiantando, quando questionado, não esperar qualquer reação adversa por parte da central sindical.

Sublinhando que "dentro da CGTP há democracia" e que foi no exercício dessa democracia que estas organizações sindicais "tomam esta posição", Carlos Trindade referiu esperar que será "certamente com esta compreensão que a maioria da CGTP vai interpretar esta posição", ou seja, como um exercício democracia interna.

Durante a conferência de imprensa, todos os outros dirigentes representantes dos sindicatos signatários afirmaram a sua condenação clara à invasão da Ucrânia pela Rússia.

Neste contexto, Fátima Carvalho, do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios e Vestuário do Centro, referiu que depois de mais de quatro meses desde o início da guerra sem que a CGTP tivesse tomado uma posição de condenação clara, não era possível continuar em silêncio porque, disse, os "nins não funcionam em guerras".

O Presidente de Angola ampliou de cinco para sete dias o período de luto nacional pela morte do ex-chefe de Estado angolano José Eduardo dos Santos, através de um novo decreto, que altera o publicado ao início da tarde.

"Tendo em conta os procedimentos associados ao passamento físico do antigo Presidente da República de Angola José Eduardo dos Santos" e "havendo necessidade de estender-se o período de luto nacional inicialmente declarado, de modo a assegurar que as homenagens devidas à sua figura, a sua obra, os seus feitos e o seu legado decorram em período significativo", o atual chefe de Estado, João Lourenço, aumentou o período de luto nacional.

Assim, o luto nacional "tem a duração de sete dias" e inicia-se às 00:00 de 09 de julho, lê-se no novo decreto.

O Presidente de Angola tinha decretado hoje cinco dias de luto nacional, a começar também no sábado, pela morte do seu antecessor, José Eduardo dos Santos, aos 79 anos.

"É declarado o luto nacional a ser observado em todo o território nacional e nas missões diplomáticas e consulares", refere o primeiro decreto presidencial do chefe de Estado.

Segundo o decreto, o luto nacional começa às 00:00 de sábado, 09 de julho, tal como agora, durante os quais a bandeira nacional será colocada a meia haste e serão cancelados todos os espetáculos e manifestações públicas.

O chefe de Estado angolano justificou no decreto a homenagem com o facto de o ex-presidente José Eduardo dos Santos ter sido "uma figura ímpar da Pátria Angolana, à qual se dedicou desde muito cedo, tendo tido relevante participação na luta contra a colonização, na conquista da Independência Nacional, na consolidação da Nação Angolana, na sua afirmação no contexto das Nações, na conquista da paz e reconstrução e reconciliação nacionais".

O luto nacional visa por isso "homenagear condignamente a sua figura, a sua obra, os seus feitos e o seu legado", segundo o primeiro decreto presidencial.

José Eduardo dos Santos morreu hoje aos 79 anos em Barcelona, Espanha, após doença prolongada, anunciou a Presidência da República de Angola.

O antigo Presidente da Angola estava há duas semanas internado nos cuidados intensivos de uma clínica em Barcelona.

Em comunicado, o executivo angolano apresenta "profundos sentimentos de pesar" à família e apela "à serenidade de todos neste momento de dor e consternação".

José Eduardo dos Santos sucedeu a Agostinho Neto como Presidente de Angola em 1979 e deixou o cargo em 2017, cumprindo uma das mais longas presidências no mundo, sendo era regularmente acusado por organizações internacionais de corrupção e nepotismo.

Em 2017, renunciou a recandidatar-se e o atual Presidente, João Lourenço, sucedeu-lhe no cargo, tendo sido eleito também pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que governa no país desde a independência de Portugal, em 1975.

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