Horta Osório sugere que Portugal analise "tamanho ideal da população"

| Economia
Porto Canal / Agências

Porto, 09 mai (Lusa) -- O presidente executivo do banco britânico Lloyds, António Horta Osório, propôs que Portugal estude o "tamanho ideal da população" face às dificuldades que as questões demográficas colocam à recuperação económica.

Durante um jantar-debate quinta-feira à noite organizado pela Associação Portuguesa de Gestão e Engenharia Industrial, Horta Osório constatou que a retoma vai ser "lenta e difícil" e que não vai ser ajudada pelo "fator demográfico", uma vez que a população está, por um lado, a envelhecer e, por outro, a emigrar, algo que aconselhou aos jovens portugueses em busca de oportunidades.

"Acho que Portugal estrategicamente devia abordar a questão do tamanho ideal da população. (...) Nós devíamos seriamente pensar se devíamos ser um país de 10 milhões de pessoas a baixar ou se devíamos ser um país de 15 milhões de pessoas e se fossemos quais as políticas adequadas de imigração para atrair os quadros adequados e não quaisquer quadros, como faz Singapura ou como fazem outros países", referiu o banqueiro, perante uma plateia que incluía o antigo presidente da Câmara do Porto Rui Rio e o presidente executivo da Zon Optimus, Miguel Almeida.

Quando questionado por um professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto sobre o que poderia ser feito para convencer os melhores alunos a ficarem em Portugal, tendo em conta os salários mais baixos do que os praticados noutros países europeus, António Horta Osório foi claro: "O meu conselho é que vão. E estou a falar muito a sério".

"A ideia de ficar estoicamente num sítio onde têm metade do salário não é o adequado. E o mesmo se aplica à passagem das pessoas do campo para as cidades. Porque é que as pessoas vão para Lisboa ou para o Porto e não ficam em Vila Real, ou não ficam em Viseu ou em Castelo Branco?", questionou o responsável do Lloyds.

Apesar de aconselhar à emigração no sentido da prossecução das melhores oportunidades de trabalho, Horta Osório salientou que se se mantiver uma ligação a Portugal, isso significa que "poderão no futuro contribuir muito para o país".

TDI // JPF

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