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Cabo Verde quer parceria estratégica com a União Europeia  - Primeiro-ministro

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Porto Canal com Lusa

Praia, 17 jul 2020 (Lusa) -- Cabo Verde quer elevar o seu nível de relação com a União Europeia, fazendo com que a atual parceria especial evolua para uma parceria estratégica, com mais relações económicas, comércio, investimentos e segurança, disse hoje o primeiro-ministro cabo-verdiano.

"Em Cabo Verde estamos fortemente empenhados em fazer uma elevação do nosso nível de relação com a União Europeia. Temos uma parceria especial, queremos que essa parceria evolua para uma parceria estratégica", disse Ulisses Correia e Silva.

O chefe do Governo cabo-verdiano falava, na cidade da Praia, no ato oficial de anúncio do segundo apoio orçamental de 12,25 milhões de euros a Cabo Verde para as medidas emergenciais e de preparação da retoma económica no âmbito da pandemia de covid-19.

Para o primeiro-ministro, essa parceria estratégica vai ser de ancoragem da economia cabo-verdiana, permitindo que tudo o que sejam relações económicas, de comércio, de investimentos, mas também de estabilidade e de segurança, possam encontrar na União Europeia "um parceiro ainda mais privilegiado" do que atualmente.

"E é nossa opção, no sentido de fazer com que o país reduza as suas vulnerabilidades, não se isole, e consiga integrar. E integrando bem, conseguimos criar melhores condições de futuro numa perspetiva em que todos ganham", mostrou Ulisses Correia e Silva.

"A União Europeia tem os seus fatores de utilidade, é um parceiro, desde o ponto de vista económico ao aspeto mais natural da relação entre os povos, representa uma referência importante para Cabo Verde, incluindo a nossa diáspora, que é muito representativa nos países europeus", completou Ulisses Correia e Silva.

Instada a comentar essa intenção do Governo cabo-verdiano, a embaixadora da União Europeia em Cabo Verde, Sofia Moreira de Sousa, disse que a UE vê como "algo positivo" todo o esforço de reforço das relações com Cabo Verde.

A UE e Cabo Verde celebraram em 2017 uma Parceria Especial, a única do género no continente africano, que abrange várias áreas, nomeadamente a boa governação, segurança e estabilidade, integração regional, convergência técnica e normativa, sociedade da informação e do conhecimento, luta contra a pobreza e desenvolvimento.

O país já manifestou a sua intenção de introduzir outros pilares na parceria que considera importantes para o seu desenvolvimento, como investimento, crescimento e emprego, reformas institucionais e a problemática dos oceanos.

Relativamente ao segundo apoio orçamental de 12,25 milhões de euros, depois de um primeiro desembolso há três meses de cinco milhões, o primeiro-ministro salientou que é um "gesto significativo" para com Cabo Verde, pelo montante, pela rapidez e pelo envolvimento.

"A União Europeia é um dos nossos parceiros que responde em situações de normalidade e responde em situações extraordinárias como a que nós vivemos neste momento da pandemia", salientou Ulisses Correia e Silva.

O chefe do Governo garantiu que o apoio vai ser "devidamente valorizado" e será uma forma de o país "fazer bons investimentos" nas medidas emergenciais e preparação para o relançamento da economia após os efeitos provocados pela crise da pandemia.

Por sua vez, a embaixadora da UE considerou que o novo apoio a Cabo Verde não é um ato separado, mas sim que se insere no contexto de "relações muito fortes" entre os dois povos.

"Traduz a vontade de ambos os parceiros, a União Europeia e Cabo Verde, de continuar a trabalhar juntos", afirmou Sofia Moreira de Sousa, que espera um "controlo excecional" por parte do país africano a mais este apoio atribuído também em tempos excecionais.

Questionada se há espaço para mais algum apoio a Cabo Verde no âmbito da pandemia, a representante europeu não foi concreta, dizendo apenas que as duas partes continuam a trabalhar, indicando que há vários outros projetos e que aconteceram outros desembolsos às pequenas, micro e médias empresas e à sociedade civil.

"A relação da União Europeia e Cabo Verde vai muito além de verbas, temos dado as mãos e temos estado a trabalhar para tentar minimizar os efeitos desta pandemia em Cabo Verde", disse Sofia Moreira de Sousa, referindo que as duas partes já estão a trabalhar no novo quadro financeiro 2021-2027, com as alocações financeiras e áreas temáticas já acordadas.

Cabo Verde regista um acumulado de 1.894 casos de covid-19, dos quais 19 óbitos e 902 pessoas consideradas recuperadas da doença.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 590 mil mortos e infetou mais de 13,83 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

 

RIPE // JH

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