Carne de macaco é petisco em Bissau, apesar das proibições

Carne de macaco é petisco em Bissau, apesar das proibições
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Porto Canal

Basta perguntar pelas ruas e não é difícil chegar a bares e restaurantes da capital da Guiné-Bissau que sirvam carne de macaco, apesar das proibições e dos alertas das autoridades para o perigo de extinção dos primatas.

"Tenho muitos pratos, mas o mais procurado é o macaco", justifica à agência Lusa a dona de uma casa de petiscos de Bissau, enquanto mostra o cozinhado que mantém em lume brando.

No meio da panela fumegante os pedaços de carne já estão estufados e distinguem-se claramente as patas e, no meio, um pequeno crânio com dentição completa: "os clientes dizem que a cabeça e as patas do macaco são as partes mais saborosas", conta a proprietária e cozinheira.

Segue a receita da mãe, com muito alho, louro, limão e pimenta, entre outros condimentos para "matar" o sabor das ervas que os primatas passam o tempo a comer nas florestas.

"É uma carne seca e sem gorduras" e esse até pode ser um dos atributos que o torna "um prato tão procurado, um sucesso", refere.

Três a quatro pedaços de carne de macaco custam cerca de dois euros, o que acaba por ser um petisco caro num dos países mais pobres do mundo, mas que toda a gente procura, guineenses e estrangeiros.

Na esplanada, os clientes juntam-se à volta do prato enquanto estão à conversa e só o largam depois de rapar os ossos.

Na cozinha as ordens são para haver sempre uma panela pronta a servir, mas a procura é tanta que às vezes não é possível deitar mão a carne fresca, porque "os caçadores chegam a vender todas as peças" durante a viagem da floresta até à capital.

Esta corrida ao produto não espanta a proprietária, consciente de que é proibido caçar macaco, cozinhar e vender a carne.

Diz que até compreende os riscos de extinção, mas a tudo responde da mesma forma: "se já está morto, não se pode rejeitar".

"Eu não sou caçadora", acrescenta, acreditando que o dia da extinção de primatas na Guiné-Bissau "ainda está longe".

Menos otimista está Fai Djedjó, diretor dos Serviços de Fauna Silvestre da Guiné-Bissau, que retrata a situação atual como um "massacre" da população de primatas da Guiné-Bissau.

"Estão todos em risco", mas "este é o mais ameaçado", refere, ao apontar para o Macaco Verde num livro sobre as espécies de mamíferos que habitam em África.

Fai Djedjó confessa ter poucos recursos e ambiciona receber mais meios do estado para fiscalizar as florestas e os restaurantes.

Ao mesmo tempo, pede que seja aprovada em Conselho de Ministros uma nova lei, já redigida e mais restritiva sobre as atividades de caça.

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